segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

A verdade na morte




Presentemente, sabemos onde está a verdade. Está no sexo, na economia, na cultura e na morte. E sabemos bem onde está a verdade desta verdade. Está na morte… Acreditamos que a última palavra de tudo pertence à morte.

BOBIN, Christian, Francisco e o Pequenino, Braga, Editorial A.O., 2013, p.93.

Todos os anos são anos de morte


Todos os anos são anos de morte
Os anos morrem por partes dia a dia…
Todas as mortes nos matam um pouco
Seja a de um santo seja a de um louco


BELO, Ruy, IN MEMORIAMHomem de palavra[s], Porto, Assírio e Alvim, 2016, p. 72.


domingo, 30 de dezembro de 2018

Conselhos pessoanos

Não chores, porque o chorar de nada serve; nem rias, porque o riso nada esconde. Sabe ignorar-te , mas não esqueças de que te ignoras. E nunca ensines a ninguém a tua consciência da vida.

Não faças o que os outros fazem, porque eles o fazem, nem o que os outros não fazem porque eles não fazem. Faze o que for mais difícil ao teu ser, sendo dele o fazê-lo. O pensamento é estéril, o sentimento inútil; só do esforço e da vontade de alguma coisa obscuramente fica.

Nem fales muito alto; nem sintas muito alto. Não penses demais, porque a compreensão da eternidade é a antecâmara da dor.

O saber da vida é a gente saber por ouvir. Mas este mal é o nosso maior bem.

Nunca fales de ti. Guarda ao teu ser o seu segredo. se o abrires nunca o poderás fechar. Não é que alguém te compreenderá, é que te descompreenderá; porque ninguém compreende os outros. Sentir-te-ás traído a ti mesmo, de uma traição desproveitosa.

Aceita a natureza como bela; mostra-te contente de ter o sol e a lua e não desagradecido das estrelas.

Sente a natureza no que ela não é. Chama-lhe mãe às vezes e serás consolado. Respira-a e sabe sentir-te abençoado por um manto de vida.
 
PESSOA, Fernando, O eremita da serra negra, O mendigo e outros contos, Porto, Assírio e Alvim, 2012, pp. 51-52.

Fogo de artifício de Ano Novo




O ano passado em Portimão foi assim, este ano como será?

sábado, 29 de dezembro de 2018

Poder transformador

Só quando são oprimidos é que as pessoas vêem com clareza a injustiça, mas quando conseguem chegar ao poder, exercem-no sem piedade contra toda a gente para que não os tirem do trono. É muito difícil passar a prova do poder. A maioria transforma-se totalmente, esquece tudo  o que tinha aprendido quando fazia parte do povo e comete todo o tipo de atrocidades.

ESQUÍVEL, Laura, A Lei do amor, Porto, 16.ª edição, Asa Editores, 2006, p. 226.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

sábado, 22 de dezembro de 2018

Riqueza de hoje

A riqueza é a única, e mais legítima, motivação para viver, tudo o resto é absurdo.

SEPÚLVEDA, Luis, O Fim da história, Lisboa, Porto Editora, 2017, p. 115.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Presépio



Presépio. Palavra que nos leva a tempos idos e a mais uma festa que se aproxima. Confronto entre passado, presente e futuro, levando-nos muitas vezes à agitação e não à introspecção. Ao debruçar-me sobre ela sinto-me conduzida ao recolhimento, à simplicidade e ao silêncio respeitador de um nascimento.
Recordado ano após ano, perde por vezes o sentido ao longo de outros tantos.
Escrito, desenhado, pintado, declamado, esculpido, representado ou simbolizado
Segundo lendas, culturas, religiões e posses.
É uma espera ansiosa para que essas construções e lembranças tornem vivos os corações.
Para partilharem o amor, a paz, a alegria e a bondade.
Inflame-se o mundo a cada segundo que nasce uma vida e renasce a esperança para a salvação. A simbologia do presépio renasce em cada ponto do mundo, em cada berçário, casa, mata, curral, rico ou pobre; é o primeiro grito dessa vida, que mais um presépio nasce no nosso coração.
Olhemos então para dentro de nós e busquemos essa centelha. Voltemos ao nosso presépio, que é a nossa cabana, o nosso berço espiritual e façamo-nos sentir a urgência do brilho da luz que ilumina o nosso caminho e aí, se cada um o fizer, todos os caminhos serão iluminados. 

VENTURA, Dina, Apelo in AAVV, Presépios, Casal de Cambra, Caleidoscópio, 2005, p. 21.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Cruzeiro do Redondo

Redondo
Cruzeiro é uma cruz geralmente em pedra embora raramente apareça também em madeira, e que normalmente é colocada sobre uma plataforma com alguns degraus ou sobre a extremidade de espigueiros. Os cruzeiros podem ser de diversas dimensões e normalmente são colocados nos adros das igrejas, cemitérios, lugares elevados ou em encruzilhadas de caminhos.

Fonte: Wikipédia

Edifícios de Lagoa



Algarve

Chafariz del Rei


Construído no ano de 1497 a mando d'El Rei D. Manuel, conforme a legenda em latim inscrita em placa de mármore, este chafariz foi alvo de intervenções de restauro que lhe restituíram o aspecto original (ESPANCA, Túlio, 1966). 

De facto, em 1966 subsistiam apenas cinco das vinte e duas ameias que originalmente rematavam o muro de alvenaria, com cunhais em granito. A ameia central de grandes dimensões, exibe uma placa de mármore com a cruz da Ordem de Cristo e a inscrição referente às origens do Chafariz. Por baixo, as armas de Portugal, compostas por castelos, cinco quinas e coroas, que segundo Túlio Espanca resultam de uma interpretação arcaica das mesmas. Num registo ainda mais inferior, outra placa apresenta as iniciais CME.

O tanque, em granito e de planta quadrangular, está protegido por pilaretes circulares, de feitura rústica, que a circundam, e serviam de apoio aos transeuntes ou de amarra para os animais. Ainda de acordo com Túlio Espanca, terão desaparecido em 1966 alguns destes malhões de pedra, por avançavam excessivamente para a Estrada Nacional.

Fonte:  http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/339184/

Macacando

Jardim Zoológico de Lisboa

Ondulação








Cabo Carvoeiro - Peniche

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Tu, Senhor


Tu me sondas, Senhor, e me conheces.
Sabes quando me sento e me levanto,
de longe tu escutas as menores intenções,
reconheces minha marcha e vigias o meu sono.
Nada de mim te é estranho.
Adivinhas a palavra que se tece ainda em mim.
Estás em frente do meu rosto, estás atrás das minhas costas,
E pousaste a tua mão sobre a carne do meu ombro.
- Oh, tua ciência é a mais prodigiosa. 

 HELDER, Herberto, Saltério, O Bebedor nocturno – poemas mudados para português, Lisboa, Assírio & Alvim, 2010, p. 22.