Não sei amar nos espaços em branco
Muito menos nas entre linhas.
Amo com letra carregada.
MONTEIRO, Yara Nakahanda, Memórias, aparições, arritmias, Lisboa, Companhia das letras, 2021, p. 50.
Não sei amar nos espaços em branco
Muito menos nas entre linhas.
Amo com letra carregada.
MONTEIRO, Yara Nakahanda, Memórias, aparições, arritmias, Lisboa, Companhia das letras, 2021, p. 50.
Trago boca para comer
E olhos para desejar:
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver:
Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
Não tenho tempo a perder.
(...)
GEDEÃO, António, Poemas escolhidos, Lisboa, Glaciar, 2022, p. 34.
TAVARES, Gonçalo M., Biblioteca,Porto, Campo das Letras, 2004, p. 144.
Renasci do lado do abraço
Que demos
No olhar que lemos
Em cada bússola
Quer nos levou ao mar...
Prontos a gostar....
Se cada um gostar.
Virados a sul
Chegámos ao Porto
Onde tudo
É ainda cedo...
Num corpo a corpo
onde me levas
e eu me excedo...
embarcado em ti
numa viagem
onde em mim te aprendi.
ANTUNES, Fernando Machado, ... como quem lisboandando, Lisboa, Guerra e Paz Editores, 2022, p. 42.
Por vezes, o voo das borboletas
Fica enredado nos ramos das árvores
E é preciso o Outono para o tirar de lá. Por isso,
as folhas não caem a direito como pedras, mas
Como borboletas que pousam
CRUZ, Afonso, Paz traz paz, Lisboa, Companhia das Letras, 2019, p. 25.
Respiro fundo como o ginasta em exercício.
Inspiro
E expiro.
Lenta e profundamente.
Uma vez.
Outra vez.
O ar inunda e lava como um fluido cheiroso
o corpo todo inteiro.
Uma vez.
Outra vez.
Agora sim. Estou pronto para a luta.
Acaricio a flor no seu vaso de plástico
e vou.
Vou por aí.
GEDEÃO, António, Poemas escolhidos, Lisboa, Glaciar, 2022, p. 168.