quarta-feira, 22 de julho de 2026

Até um dia, meu querido Xpto

Já passei à história?

Ou nem te fiz história???

Deixa-me adivinhar, tu odeias história...


Tu, que estás na minha memória

No meu coração

Na minha alma

No meu corpo...


Foste o primeiro,

Serás o último!

Começou e acabou o ciclo,

Retorno ao princípio

Sonhar com o amor verdadeiro...


Não há borboleta

Há o fechar da concha!


Da atracção surgiu a paixão

Mas tantos dias de silêncio

Desesperam

magoam

atrofiam-me

o pensamento

Para sobreviver, tenho de me escolher...

Nunca irás me compreender

Eu só pedi tempo e mimos

mas só ganhei nestes anos míseros carinhos

E múltiplos suspiros

Para ti não sou nada

e nunca serei nada...

Quando te vi com outra, senti essa chapada!


E assim, a solidão

Mata-me o desejo

Fico perdida no meu canto

Amando platonicamente

Sem brincadeira

Para tu seres feliz

No meio de vasta concorrência...


Dou por findo todos os nervos:

Não saber, 

não ser capaz de atingir equidade,

não conseguir te conquistar

O de estar sempre a duvidar

O porquê de tanto esperar

E principalmente, a expectativa matar...


Eu que lutei tanto por ti contra mim...

Tanto que te pedi

Para mudares este meu mundo

Branco e preto

mas nem um arco-íris vi


Por te desejar com todo o coração,

Terminei para não te trair

Enquanto tu, jantas e vais a concerto com outra...

não me dás tempo nem amor

Só migalhas de prazer

Para depressa me esquecer

De que me adianta ambicionar estar com quem  gostar?


Mil vezes repartir com todas

A ver-te feliz com uma que se faz prima

Doutorar não é motivo para me negar!!

Fazes-me sentir péssima companhia

Até como amiga me incomoda 

Reconheço esse retrocesso

Por favor, não me provoques mais dor 


Eu, que não quero que te falte nada

Tenho de ser forte para pensar em nada


Aprendi muito contigo

E agora, a última lição

Que me fez amadurecer  

Além de que fazer esperar é não desejar -

Sinceridade não faz conquistar...


Piscinar era só para contigo estar

Desejava des-romantizar a tua imagem 

Mas nem um único dia me deste

Para o concretizar


Toca a aprender que não dar tempo é o mesmo que ignorar

Não ponhas desculpas na tua cabeça,

Não fales para a foto

Não tenhas aperto no coração só de o ver...

E aceita que ele não te quer!!

Muito menos celebrar o Dia da Mulher!


Saudades do tempo em que só te tinha a ti por chorar

Eu carente estou, só te queria beijar

Não houve feirar

não haverá despedida

Nem carta

Só mais dias a passar

E a lua me acompanhar


Caramba

Até na poesia estou uma merda!!!


Descansa, não lhe fazes mossa...

Só a ti

Contenta-te por ouvires

Um doce

A mais gira da feira

Excitas-me

jeitosa...


Tantos dias perdidos,

Tantos desencontros

Parece que nem o Universo feliz nos quer...

Como posso assim combater?


Não és sincero,

Mas diferente 

Te sinto

Vejo um olhar indiferente...


Foi bom, todavia soube muito a pouco

Tens sempre um lugar no meu coração

Não o arranco

Não quiseste mais, pois então

Sabendo que não queria casar, apenas estar

mas recuso mais procrastinar

O segredo para a cova vou levar

E assim se acaba o gulosear...

Até um dia, meu querido Xpto


Triste ficarei,

Ai meu Deus,

Sem o teus beijos

Sobreviverei???


 

Promessas

Promessas

Sussurradas

À chuva

Serão arrastadas

Para longe.

- mesmo para dentro da merda do ralo.



LOVELACE, Amanda, Aqui a princesa salva-se sozinha, Alfragide, Oficina do Livro, 2019, p. 57.

Hora das gaivotas




 Praia da Saúde, Costa da Caparica

Era

Era o desejo de alcançar a força viva

De lhe criar um espaço para mim e para ti

Para viver ao sol desperto e nu

para viver no ser aberto

como um animal 

como uma força fraterna

um corpo livre. 



ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 114.

Para tua boca, todas as vidas

 COUTO, Mia, Tradutor de chuvas, 3.a edição, Alfragide, Editoral Caminho, p. 90.

A saudade/ é o que ficou/ do que nunca fomos

COUTO, Mia, Tradutor de chuvas, 3.a edição, Alfragide, Editoral Caminho, p. 67.

Gaivota à beira-mar


 Costa da Caparica

sábado, 11 de julho de 2026

Círculos



 Fachada de uma quinta em Caxias

Avenida da República


 


Chego a casa

E não recebo nenhum abraço

Nem um sorriso

E muito menos um simples mimo


De solidão sofro

Sinto a casa como uma prisão

Procuro fugir para não pensar

Sonho com o que não vem


Só no trabalho tenho distração

Apesar daí nunca sentir realização


Minha mãe me disse

Não estarás só por teres dois irmãos

Um no estrangeiro ou capital , só tem olhos para a sua paixão

Outro me acompanha mas está por portimão


Perder amor de tia

E de mãe

Abalaram o meu coração

E nunca mais de verdade me ri

Nem amor genuíno senti

Toca o sino na torre da igreja


 Reguengos de Monsaraz

Casinhas algarvias