domingo, 3 de maio de 2026

sábado, 25 de abril de 2026

Se a liberdade tem algum significado é o de representar o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir

ORWELL, George, O Triunfo dos Porcos, Alfragide, Publicações D. Quixote, 2021, p. 146.

Poema do dia

 Abril nasce há muitos anos

Em vozes roucas e envelhecidas


Já o sol vai alto

e é agora

só agora

abril


uma réstia de abril

um abril sem madrugada e

turvo nos olhos de hoje remelados


SOUTO, António, A Seiva dos dias e outros poemas, s.l., Europeus, 2021, p. 20.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Liberdade segundo Cesariny

A liberdade conhece-se pelo seu fulgor.

Quatro homens livres não são mais liberdade do que um só. Mas são mais reverbero no mesmo fulgor.

Trocar liberdade em liberdades é a moda corrente do libertino.

Pode prender-se um homem e pô-lo a pão e água. Pode tirar-se-lhe o pão e não se lhe dar a água. Pode-se pô-lo a morrer, pendurado no ar, ou à dentada, com cães. Mas é impossível tirar-lhe seja que parte for da liberdade que ele é.

Ser-se livre é possuir-se a capacidade de lutar contra o que nos oprime. Quanto mais perseguido mais perigoso. Quanto mais livre mais capaz.

Do cadáver de um homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro - nunca sairá um escravo.

Autoridade e liberdade são uma e a mesma coisa.

 CESARINY, Mário, As mãos na água, a cabeça no mar, Porto, Assírio e Alvim, 2015.


quinta-feira, 23 de abril de 2026

A liberdade é como o coala, só tem um alimento: responsabilidade

TORDO, Fernando, Não me tapes o caminho em frente, mesmo que não vá dar ao futuro, Lisboa, Editora Guerra e Paz, 2021, p. 18.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O mandrião


 Évora

Não refiles

Não refiles tanto 

E beija-me mais

Não vês que sinto

Falta de carinho?


Adoro o teu 'no stress'

Porquê tanto 'press'?

O corpo revela as esperas,

As experientes,

As ausências

Não sentes que quero tanto que gostes um pouco de mim?...


Xpto




A um homem do passado

 Estes são os tempos futuros que temia

O teu coração que mirrou sob as pedras,

Que podes recear agora tão fundo,

onde não chegam as aflições nem as palavras duras?


Desceste em andamento; afinal era

Tudo tão inevitável como o resto

Viraste-te para o outro lado e sumiram-se

da tua vista os bons e os maus momentos.

PINA, Manuel António, Desimaginar o mundo - ensaios, Lisboa, Documenta, 2020, p. 24



quinta-feira, 16 de abril de 2026

Quando se está cansado

Quando se está cansado e apraz ser outro

Só porque isso é impossível, há vagar

Para pensar que há um género que é neutro

No latim virgem do sonhar.


PESSOA, Fernando, Poemas esotéricos,  Porto, Assírio e Alvim, 2020, p. 142.