quarta-feira, 1 de abril de 2026

Versos vários

As palavras esmagam-se entre o silêncio

Que as cerca e o silêncio que transportam


o meu cansaço é só um conceito


Serei capaz 

de não ter medo de nada,

Nem de algumas palavras juntas?


As palavras fazem

Sentido (o tempo que levei até descobrir isto!),

Um sentido justo,

Feito de mais palavras


As palavras depõem

Contra o coração,

que não quer dizer nada

nem ouvir nada


Como saberei o que fazer com tantas palavras,

náufrago de palavras

Na tormenta de antigos sentidos

e de antigas dúvidas,

Sem outra coisa que me proteja

Senão mais palavras?


PINA, Manuel António, Desimaginar o mundo - ensaios, Lisboa, Documenta, 2020, p.p. 199-200.


Nova instalação




 Jardim municipal de Évora 

Casinha algarvia


 Portimão

Algeroz alface


 ÉVORA

sábado, 21 de março de 2026

Vaguear





 Antigo Convento de Santa Clara de Évora 

Poema

As palavras mais nuas

As mais tristes.

As palavras mais pobres 

As que vejo

sangrando na sombra e nos meus olhos.


Que alegria elas sonham, que outro dia,

Para que rostos brilham?


Procurei sempre um lugar

Onde não respondessem,

Onde as bocas falassem num murmúrio 

Quase feliz,

As palavras nuas que o silêncio veste.


Se reunissem

Para uma alegria nova,

Que o pequenino corpo 

De miséria 

Respirações o ar livre,

A multidão dos pássaros escondidos,

A densidade das folhas, o silêncio 

E um céu azul e fresco. 



ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 26x.

Malvado do tempo

... O malvado do tempo

Faz umas contas tramadas

Não deixa a gente ficar

só mais umas temporadas 

(...)



 TORDO, Fernando, Não me tapes o caminho em frente, mesmo que não vá dar ao futuro, Lisboa, Editora Guerra e Paz, 2021, p. 31.

Rochas e rochinhas


 Portimão

sexta-feira, 20 de março de 2026

Gaivotas cascalenses




 CASCAIS

O que é a felicidade?

A felicidade é o sinal da vertigem.

Concêntrica.

Mesmo no salto mortal e vivo.

Braços abertos, silenciosamente, no ar.

E amando a terra 

Cai

E continua.


Deslizando sobre precipícios,

Uma só linha o conduz

E o envolve,

Uma superfície isenta para todos os traços.


Afável e mortal,

Dura e fria.

Renascente,

Extremamente visível.


Um só entusiasmo.


ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, pp. 61-62.

My little bird


 

Quando os santos saem do Altar





 Igreja de São Francisco de Évora

quinta-feira, 19 de março de 2026

A filosofia é ver o que existe no que não existe

 TAVARES, Gonçalo M., Biblioteca, Porto, Campo das Letras, 2004, p. 18.

Pensamos

Pensamos que

Os nossos pais são 

Inquebráveis

até que um dia

descobrimos

que não são. 

- o que significa realmente perder a nossa inocência.



LOVELACE, Amanda, Aqui a princesa salva-se sozinha, Alfragide, Oficina do Livro, 2019, p. 75.

Ruas de Portimão