A cobardia intelectual é o pior inimigo que enfrenta um escritor ou um jornalista neste país
ORWELL, George, O Triunfo dos Porcos, Alfragide, Publicações D. Quixote, 2021, p. 133.
A cobardia intelectual é o pior inimigo que enfrenta um escritor ou um jornalista neste país
ORWELL, George, O Triunfo dos Porcos, Alfragide, Publicações D. Quixote, 2021, p. 133.
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso - sabemo-lo hoje?
A História sempre nos faz surpresas, sim,
mas diz-nos também que não mudam os nossos instintos
de presa, de morte, se guerra:
toda a beleza do mundo cabe na explosão de um morteiro,
no eco de uma bala.
E, no entanto, vivemos e dia a sia, acordamos
para todo o esplendor e miséria do mundo.
Não há nem haverá jamais paz perpétua
e a cobiça do lucro poderá destruir toda a Terra:
Mas não morre a beleza do clarinete que se levanta por dentro do
concerto de Mozart
(...)
pois enquanto formos capazes de dizer não
continuaremos a rasgar clareiras de humana vida
na selva escura da obscura morte.
Assim o nosso maior poder é a recusa,
a recusa da comunidade no mal, da visão da morte como suprema beleza
e da guerra como destino.
poderá ser pouca coisa o nosso "não"?
poderá de nada servir face às multidões que morrem? Talvez.
Mas é o nosso grande poder, o nosso único poder,
aquilo que deixamos como penhor à vida.
Luís Filipe de Castro Mendes in A mais frágil das moradas - poemas à memória de Eduardo Lourenço, Lisboa, Guerra e Paz Editores, 2023, p.p. 89-90.