Agora que vou partir
Quero deixar o amor,
Este amor que não me deixa
Nem partir nem amar.
Quero deixar-te este amor
Para teus amores,
Essas outras mulheres
Que, por mim, não terás que recusar.
Não me verás chorar:
Limpo a lágrima à última palavra.
E saberás
Que não te amei a ti,
Mas, em ti, a vida inteira,
Maior que o sonho de a viver.
Digo-te, agora que vou:
Amar não basta
E os amores são sempre poucos.
Talvez o amor não saiba amar.
Talvez o amor
Seja um aprendiz
De esperas e ausências.
Não me serás fiel, eu sei.
Mas não haverá traição.
Eu serei todas as mulheres
Que o teu leitor encantar.
E tu não serás nunca
O homem de ninguém.
Príncipe, te sonharás.
Mas não terás mais princípio.
COUTO, Mia, Tradutor de chuvas, 3.a edição, Alfragide, Editoral Caminho, pp. 56-57.






















































