O Mundo da Hortense
quinta-feira, 2 de abril de 2026
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Versos vários
As palavras esmagam-se entre o silêncio
Que as cerca e o silêncio que transportam
o meu cansaço é só um conceito
Serei capaz
de não ter medo de nada,
Nem de algumas palavras juntas?
As palavras fazem
Sentido (o tempo que levei até descobrir isto!),
Um sentido justo,
Feito de mais palavras
As palavras depõem
Contra o coração,
que não quer dizer nada
nem ouvir nada
Como saberei o que fazer com tantas palavras,
náufrago de palavras
Na tormenta de antigos sentidos
e de antigas dúvidas,
Sem outra coisa que me proteja
Senão mais palavras?
PINA, Manuel António, Desimaginar o mundo - ensaios, Lisboa, Documenta, 2020, p.p. 199-200.
terça-feira, 31 de março de 2026
segunda-feira, 30 de março de 2026
domingo, 29 de março de 2026
sábado, 28 de março de 2026
sexta-feira, 27 de março de 2026
quinta-feira, 26 de março de 2026
terça-feira, 24 de março de 2026
segunda-feira, 23 de março de 2026
domingo, 22 de março de 2026
sábado, 21 de março de 2026
Poema
As palavras mais nuas
As mais tristes.
As palavras mais pobres
As que vejo
sangrando na sombra e nos meus olhos.
Que alegria elas sonham, que outro dia,
Para que rostos brilham?
Procurei sempre um lugar
Onde não respondessem,
Onde as bocas falassem num murmúrio
Quase feliz,
As palavras nuas que o silêncio veste.
Se reunissem
Para uma alegria nova,
Que o pequenino corpo
De miséria
Respirações o ar livre,
A multidão dos pássaros escondidos,
A densidade das folhas, o silêncio
E um céu azul e fresco.
ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 26x.
Malvado do tempo
... O malvado do tempo
Faz umas contas tramadas
Não deixa a gente ficar
só mais umas temporadas
(...)
TORDO, Fernando, Não me tapes o caminho em frente, mesmo que não vá dar ao futuro, Lisboa, Editora Guerra e Paz, 2021, p. 31.
sexta-feira, 20 de março de 2026
O que é a felicidade?
A felicidade é o sinal da vertigem.
Concêntrica.
Mesmo no salto mortal e vivo.
Braços abertos, silenciosamente, no ar.
E amando a terra
Cai
E continua.
Deslizando sobre precipícios,
Uma só linha o conduz
E o envolve,
Uma superfície isenta para todos os traços.
Afável e mortal,
Dura e fria.
Renascente,
Extremamente visível.
Um só entusiasmo.
ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, pp. 61-62.




















































