sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O ócio


(...) fico cansado com o trabalho.

- Ouve, meu rapaz - disse a Fada -, os que dizem isso, acabam quase sempre ou na prisão ou no hospício. Para que saibas, o homem, nasça rico ou pobre, é obrigado neste mundo a fazer qualquer coisa, a ter uma ocupação, a trabalhar. Livra-te de te deixar dominar pela ociosidade! O ócio é uma doença terrível e tem de ser tratada rapidamente, em criança. Senão, quando se é crescido, já não tem cura.


COLLODI, Carlo, As aventuras de Pinóquio, Amadora, Fábula, 2017, p. 135

Fazer os possíveis para não/ deixar a bondade ficar com as costelas à vista

 CRUZ, Afonso, Paz traz paz, Lisboa, Companhia das Letras, 2019, p. 101.

sábado, 15 de agosto de 2026

Transparências


 Alvor, Portimão

Desilude esperança

Quando estava triste pensava em ti

Agora pensar em ti enristece-me...

Eras a minha alegria no meio do caos

A minha esperança no amor

Saber que existias fortalecia-me

Lutava em mim por ti

Mas acabei por nada ver dali

Porquê tanto ignorar?

Saudades do tempo em que não tinha nada por chorar

Nem de imaginar o magoar

Xpto


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

É fácil condenar

É muito mais fácil condenar o fanatismo alheio que dominar o próprio, e duas das mais preciosas qualidades que todo o sectarismo destrói são o sentido crítico e a capacidade de se colocar no lugar dos outros.

UNAMUNO, Miguel de, Portugal - povo de suicidas, Lisboa, Letra Livre, 2012, p.64.

Festas do Povo











 Campo Maior

Vem...

Esbelta surge! Vem das águas, nua,

Timoneiro uma concha alvinitente!

Os rins flexíveis e o seio fremente...

Morre-me a boca por beijar a tua.


PESSANHA, Camilo, Clepsidra, Lisboa, Guerra e Paz, 2021, p. 37.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

A vida não proporciona um palco perfeito

 A vida não proporciona um palco perfeito. 

Acabarás a desejar momentos 

Que estavam mesmo à tua frente

Porque não foste capaz de ver o quão especial 

algo simples pode ser.


 REINHART, Lili, A arte de mergulhar, Alfragide, Edições Asa, p. 153.

Uma laranja



Uma lara


Pintura de Eduardo Viana

nja acende o teu nome no meu nome na

Noite crepuscular

E deixa a manhã deserta cair no teu regaço à beira rio

onde esqueço e encontro o meu vago rosto adormecido

aguardando um perdido beijo teu que me incendeie o sonho.

RIBEIRO, Rui Casal, Escrever a água, Lisboa, Edições Colibri, 2018, p. 70. 

Sombras falantes

São as palavras que ficam na garganta, que não brotam de  quem as pensa, que ninguém ouve. Pressentem-se, adivinham-se, mas são silenciadas pelo seu dono que receia desprendê-las.


SANTOS, Maria Luísa,  Lá fora não há nada disto, s.l., Epopeia, 2022, p.165.