Palácio Real de Mafra
O Mundo da Hortense
terça-feira, 16 de junho de 2026
Este não é um relógio qualquer
segunda-feira, 15 de junho de 2026
De barco
De barco olho melhor para a memória. O mar inteiro tem menos acontecimentos que uma única rua da cidade. Daí o mar ser benéfico para a memória.
TAVARES, Gonçalo M., Biblioteca, Porto, Campo das Letras, 2004, p. 23.
domingo, 14 de junho de 2026
Palavras
Umas palavras insignificantes,
Como bom dia, pronunciadas
Na rua ou da janela,
podem provocar uma sociedade perfeita e sumptuosa
CRUZ, Afonso, Paz traz paz, Lisboa, Companhia das Letras, 2019, p. 50.
sábado, 13 de junho de 2026
Ver no meio do invisível uma coisa é ser filósofo ou alucinado
TAVARES, Gonçalo M., Biblioteca, Porto, Campo das Letras, 2004, p. 18.
Amoroso
Não há nenhuma pele colectiva a não ser a pele de dois, no momento amoroso. E esta é efémera e rápida, enquanto a vida é, normalmente, uma efémera mais lenta.
Poderás também dizer que o acto amoroso é uma vida rápida, e assim terás tantas vidas rápidas quanto os actos amorosos.
TAVARES, Gonçalo M., Biblioteca,Porto, Campo das Letras, 2004, p. 103.
Ausência
Meu amor,
Encontrámo-nos
Sedentos e bebemos
Toda a água e sangue,
encontrámo-nos
com fome
e mordemo-nos
como morde o fogo,
deixando-nos feridos.
mas espera por mim,
Guarda-me a tua doçura.
Dar-te-ei também
uma rosa.
NERUDA, Pablo, Poemas de amor, Lisboa, 2.a edição, Publicações D. Quixote, 2019, p. 35.
Amor como em casa
Regresso devagar ao teu
Sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
Não é nada comigo. Distraído percorro
O caminho familiar da saudade,
Pequeninas coisas me prendem,
Uma tarde num café, um livro. Devagar
Te amo e às vezes depressa,
Meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa
compro um livro, entro no
amor como em casa.
PINA, Manuel António, Desimaginar o mundo - ensaios, Lisboa, Documenta, 2020, pp. 47-48
Amor
Busque Amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivar-se,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temos contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.
Andrade, Eugénio, Sonetos de Luís de Camões escolhidos por Eugénio de Andrade, Lisboa, Assírio e Alvim, 2000, p. 20.



















































