sexta-feira, 3 de abril de 2026

Democracia com métodos totalitários?

 (...) existe agora uma tendência generalizada  para afirmar que só é possível defender a democracia com métodos totalitários. Segundo este argumento, se gostamos da democracia, devemos esmagar os seus inimigos? Parece sempre que não dão apenas os que a atacam aberta e conscientemente, mas também os que 'objectivamente' a põem em risco ao propagar doutrinas erradas. Por outras palavras, defender a democracia implica destruir toda a independência do pensamento. Este argumento foi usado, por exemplo, para defender as purgas russas. O mais ardente russófilo dificilmente terá acreditado que todas as vítimas fossem culpadas de todas as coisas de que foram acusadas: mas, ao defenderem opiniões heréticas, elas prejudicaram 'objectivamente' o regime, pelo que foi correcto, não somente massacrá-las, como desacreditá-las com falsas acusações.

ORWELL, George, O Triunfo dos Porcos, Alfragide, Publicações D. Quixote, 2021, p.p. 141-142.

Com as ondas do mar






Cascais




Com as ondas do mar

Reflito, e respiro

Com o fim de auscultar 

O silêncio que trama

O eco em mantra

Da palpitação 

Marítima.

BUENO, A. B., O sentido litoral, Lisboa, Guerra e Paz Editores, 2023, pp. 46-47.


Calçada portuguesa




 Aos meus pés em Alcântara

Encostei o corpo à árvore

Cascais



Aproximei o olhar sedento e encostei o corpo à árvore 

Ao lugar onde o tronco solta o leite e amamenta a boca

no silêncio precioso que envolve as águas e a noite

a música da terra 

(...)

RIBEIRO, Rui Casal, Escrever a água, Lisboa, Edições Colibri, 2018, p. 28.

O que os separa?

Nenhum homem que se despede é infeliz. E nenhuma mulher que se despede é feliz. O que separa violentamente as mulheres e os homens não é o pénis, a vagina, ou alguns hábitos velhos. O que os separa violentamente é isto. A alegria ou a tristeza com que partem ou vêem partir.

TAVARES, Gonçalo M., Biblioteca,Porto, Campo das Letras, 2004, p. 50.


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Versos vários

As palavras esmagam-se entre o silêncio

Que as cerca e o silêncio que transportam


o meu cansaço é só um conceito


Serei capaz 

de não ter medo de nada,

Nem de algumas palavras juntas?


As palavras fazem

Sentido (o tempo que levei até descobrir isto!),

Um sentido justo,

Feito de mais palavras


As palavras depõem

Contra o coração,

que não quer dizer nada

nem ouvir nada


Como saberei o que fazer com tantas palavras,

náufrago de palavras

Na tormenta de antigos sentidos

e de antigas dúvidas,

Sem outra coisa que me proteja

Senão mais palavras?


PINA, Manuel António, Desimaginar o mundo - ensaios, Lisboa, Documenta, 2020, p.p. 199-200.


Nova instalação




 Jardim municipal de Évora 

Casinha algarvia


 Portimão

Algeroz alface


 ÉVORA

sábado, 21 de março de 2026