segunda-feira, 22 de junho de 2026
Despedida
Nenhum homem que se despede é infeliz. E nenhuma mulher que se despede é feliz.
TAVARES, Gonçalo M., Biblioteca, Porto, Campo da Literatura, 2004, p. 50
O meu amor alimento-se do teu amor
....
Se todos os dias,
A toda a hora,
se sentes destinada a mim
com doçura implacável,
se todos os dias uma flor
uma flor te sobe aos lábios à minha procura,
ai meu amor, ai minha amada,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem se esquece,
O meu amor alimenta-se do teu amor,
e enquanto viveres estará nos teus braços
sem sair dos meus.
NERUDA, Pablo, Poemas de amor, Lisboa, 2.a edição, Publicações D. Quixote, 2019, p. 49
domingo, 21 de junho de 2026
Agora é verão
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| Praia dos 3 Castelos |
Apesar das reviradas ondas que o vento obriga
Apesar do frio que a estação é
São belas as praias no Inverno
O salpico
O sal
Os pés de gelo
O degelo dos olhos vidrados pela costa
Curva amarela
Este horizonte depois da espuma
este olhar até cegar
nas lágrimas da nuvem.
Agora não.
Agora é Verão
suor e multidão.
TORDO, Fernando, Não me tapes o caminho em frente, mesmo que não vá dar ao futuro, Lisboa, Editora Guerra e Paz, 2021, p. 19.
Estação segunda
O verão produz milagres
Isto porque é verão
E só por isso
Porque todas as estações são boas para
Maravilhar
a primavera
porque tem a mania de florir tudo quanto
desabrocha e faz bem à visão das
manhãs rociadas
O Outono
porque tem a constância das folhas tombando do
céu à medida que amarelecem na
memória das tardes
o inverno
porque tem o assombro dos
Cristais imaculados que agasalhar a alma quando
Ela adormece de costas para a vida
mas o verão
agora que é verão
faz prodígios
fá-los porque tem nos dias longos os
braços estendidos e o amor na ponta dos dedos
fá-los porque tem na noite luzentes os
brancos luares do fogo derramando-se pela
madrugada dos corpos
no campo na montanha ou nos poros da
areia escaldante
o verão consente que os corações se
desprendam de maduros e
sob os ramos de sombra inventem a sesta sequiosa
o canto pode começar assim entre assomos cavos e
falos no limiar da estação segunda.
SOUTO, António, A Seiva dos dias e outros poemas, s.l., Europeus, 2021, pp. 75-76.
sábado, 20 de junho de 2026
Num poema
Um poema é
Sempre tão pouco
Um pedacinho de nós
um pedacinho
ah como gosto desta palavrinha
recortada em samba
uma mancheia de rugas do
que somos em trânsito
porque nele nos dizemos
envergonhadamente
num poema
(...)
SOUTO, António, A Seiva dos dias e outros poemas, s.l., Europeus, 2021, p. 91.



















































