Eu sou da idade dos homens dos rios das montanhas
Eu sou da idade dos livros das pedras estranhas
eu sou da idade dos sonhos
Eu sou da idade dos versos
sou feito de altos e baixos
Caminhos diversos.
Eu sou da idade das luzes
Das sombras dos pianos
Sou o filho mais novo do Sol
Sou pai dos meus enganos
Sou pássaro praia promessa
O actor e o palco e a peça
Eu sou a exacta incerteza onde o tempo começa.
Eu sou da idade do vento que dava nas velas
Que viram no mar o naufrágio e as coisas mais belas
Eu sou da idade de tudo o que ainda não vi
Por isso eu sou da idade
Da qual me esqueci.
TORDO, Fernando, Não me tapes o caminho em frente, mesmo que não vá dar ao futuro, Lisboa, Editora Guerra e Paz, 2021, p. 36
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