terça-feira, 4 de julho de 2017

Migrações alentejanas



E então, indo os trabalhadores para as cidades ajudar a construir prédios, ou entrando nas fábricas para se ocuparem de serviços subalternos, os homens do campo elegeram a Baixa da Banheira, Moscavide, Barreiro, Sacavém, Pontinha ou Brandoa, no que respeita à periferia da capital, como lugares novos feitos para corações transplantados do ar das planícies, e quase todos mal se adaptando a tais meios. Viram-se, no entanto, libertos de uma tutela ancestral, despida de qualquer espécie de coexistência humana, onde eram, não raras vezes, tratados como gado, como escravos às ordens dos senhores, e até há pouco visitavam as terras para ver os pais e levarem, para bem longe, a mulher e os filhos. Era uma vingança contra o fascismo rural que os fustigou durante tantos anos. Ao mesmo tempo, sentem uma inexprimível saudade, um desmedido orgulho de serem transtagana gente, uma funda amargura que não expressam por nenhum gesto, uma funda amargura que não expressam por nenhum gesto e nenhuma palavra, mas nunca mais querem ser vassalos de quem por eles, não teve qualquer aceno afectuoso e fraternal.  

SILVA, Antunes da, Suão, Livros Horizonte, Lisboa, 7.ª Edição, 1985, p. 10.

Piscina de Inverno

Março de 2017
ÉVORA

Évora à vista


domingo, 2 de julho de 2017

Castelo de Montemor-o-Novo


Arquitectura militar, medieval, manuelina, mudéjar. Castelo com cerca urbana de planta irregular, reforçada por cubelos semi-cilíndricos e hoje dotada de três portas em arco pleno, flanqueadas por uma ou dois torres de planta quadrada e orientadas em função dos pontos cardeais. 

Panos de muralha parcialmente rematados com merlões piramidais ou rectangulares. Paço dos Alcaides de planta rectangular concentrada, com cubelos de ângulo e adossamento externo de torre de planta quadrada, com elementos decorativos de influência mudéjar, reflexo da reforma quatrocentista, da qual se conserva ainda parte da dupla arcada da frontaria. Acesso ao exterior protegido por couraça. Cubelo com vãos em arco conopial, abóbada de meia-laranja e cornija polilobada de influência mudéjar. 

Circuito muralhado triangular, contendo a Alcáçova - Paços dos Alcaides num dos vértices. Os cubelos adossados à muralha restringem-se ao flanco mais vulnerável. Torre do Relógio decorada com merlões chanfrados. Afonso Mendes de Oliveira, mestre de obras da reforma quinhentista, foi também responsável pela intervenção no Castelo de Estremoz.


Fonte:  http://www.monumentos.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=7875

Beleza do Douro


Casa de Diogo Cão


Estive pouco tempo o ano passado em Vila Real mas ainda consegui descobrir a casa onde segundo diz a tradição, terá nascido Diogo Cão, o Navegador enviado por D. João II em viagens de descobrimento para a ocidental Africana, e que chegou à foz do rio Zaire na segunda metade do séc. XV. A construção da casa é provavelmente do séc. XV e , felizmente, era bem perto do meu hotel!

Escudeiro e depois Cavaleiro da Casa do Infante D. Henrique, enviado por D. João II de Portugal, Diogo Cão realizou duas viagens de descobrimento da costa sudoeste africana, entre 1482 e 1486. Chegou à foz do Zaire e avançou pelo interior do rio, tendo deixado uma inscrição comprovando a sua chegada às cataratas de Ielala, perto de Matadi. Ao chegar à foz do rio Zaire, Diogo Cão julgou ter alcançado o ponto mais a sul do continente africano (Cabo da Boa Esperança), que na verdade foi dobrado por Bartolomeu Dias pouco tempo depois, e ao qual inicialmente chamara Cabo das Tormentas.


Em 1485 chegou ao Cabo da Cruz (actual Namíbia). Introduziu a utilização dos padrões de pedra, em lugar das cruzes de madeira, para assinalar a presença portuguesa nas zonas descobertas.

Diogo Cão é citado em diversas obras artísticas, como Os Lusíadas de Luís de Camões ou no poema Padrão constituinte da obra Mensagem de Fernando Pessoa. O navegador é personagem também no romance As Naus, de António Lobo Antunes. Foi também o primeiro navegador a utilizar um padrão de pedra no ato da marcação.

Fonte:  http://www.cm-vilareal.pt/index.php/conhecer/monumentos e Wikipédia.

sábado, 1 de julho de 2017

Sé de Évora


Chapéus da G.N.R.


No recente museu da G.N.R., no convento do Carmo, em Lisboa, ficamos a saber as origens desta força de segurança e muito sobre o seu o trabalho feito no país, além do fardamento e sua evolução. Hoje, aqui ficam imagens dos chapéus usados pelos militares.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Como devemos agir?

Faz por agir como os outros e pensar diferentemente deles. Não consideres que há relação entre agir e pensar. Há oposição. Os maiores homens de acção têm sido perfeitos animais na inteligência. Os mais ousados pensadores têm sido incapazes de um gesto ousado ou de um passo fora do passeio.

PESSOA, Fernando, Palavras do Livro do Desassossego, Vila Nova de Famalicão, Edição Libório Manuel Silva, 2013, p. 21.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Castelo de Olivença



Castelo com muralhas espessas e elevadas, em alvenaria de pedra, reforçadas por grandes torres de paredes cegas. A defesa era efetuada a partir dos matacães, uma vez que não possuía merlões.
 
As muralhas eram rasgadas por três portas, de que se conservaram duas: a Porta de Alconchel, em arco de volta perfeita, defendida por duas torres; e a Porta dos Anjos, também em arco de volta perfeita mas rematada por um frontão. A terceira porta, sob a invocação de São Sebastião, também em arco de volta perfeita, foi reconstruída no contexto dos trabalhos de restauração, em 2006.
 
A torre de menagem mede 40 metros de altura por 18 de lado, sendo das torres mais altas dos castelos portugueses, e é dividida internamente em três pavimentos, onde se destaca a decoração do último. É acedida por dezassete rampas com cobertura em abóbada de canhão permitindo o trânsito de peças de artilharia. Como apoio à defesa, os portugueses construíram ainda diversas atalaias de vigilância, com a função de comunicar à guarnição do castelo os movimentos das tropas castelhanas.

Fonte: Wikipédia

terça-feira, 13 de junho de 2017

Chaminés do Baixo Alentejo



ODEMIRA

Hoje nasceu Pessoa


Pessoa pertencia àquele género de portugueses que desde a descoberta da Índia ficaram desempregados. Não teve outra maneira de navegar senão escrever. Consigo é diferente, conheço-o muito bem, você nunca se resignou, anda à procura de outras índias desde pequeno. A guerra de África foi a sua grande oportunidade: fim de Império, a nova grande aventura, achar o porto por achar, descobrir Portugal em Portugal, fazer ao contrário a viagem do Gama. Embarcar para dentro, peregrinar em sentido inverso, Mensagem do avesso, pensou você. Aí estava a nova epopeia para ser vivida e cantada, não a viagem abstracta de quem só sentia pensando. 

ALEGRE, Manuel, O Homem do país azul, Alfragide, 6.ª edição, D. Quixote, 2008, pp. 124-125.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

domingo, 11 de junho de 2017

Refazer o passado



Aliás, sabes tão bem como eu que não é possível mudar o mundo sem conhecer e até certo ponto refazer a história do passado.

ALEGRE, Manuel, O Homem do país azul, Alfragide, 6.ª edição, D. Quixote, 2008, p. 28.



Fósseis do Museu Geológico













  


O Museu Geológico de Lisboa é um espaço onde voltámos atrás no tempo, não só pela excelente colecção mas pela forma como está exposta. Estou num gabinete de curiosidades quando visito este museu e descubro aqui como os dinossauros andaram a passear pelo meu país ( que afinal tem petróleo!), além de conhecer fósseis sem fim!