(...) existe agora uma tendência generalizada para afirmar que só é possível defender a democracia com métodos totalitários. Segundo este argumento, se gostamos da democracia, devemos esmagar os seus inimigos? Parece sempre que não dão apenas os que a atacam aberta e conscientemente, mas também os que 'objectivamente' a põem em risco ao propagar doutrinas erradas. Por outras palavras, defender a democracia implica destruir toda a independência do pensamento. Este argumento foi usado, por exemplo, para defender as purgas russas. O mais ardente russófilo dificilmente terá acreditado que todas as vítimas fossem culpadas de todas as coisas de que foram acusadas: mas, ao defenderem opiniões heréticas, elas prejudicaram 'objectivamente' o regime, pelo que foi correcto, não somente massacrá-las, como desacreditá-las com falsas acusações.
ORWELL, George, O Triunfo dos Porcos, Alfragide, Publicações D. Quixote, 2021, p.p. 141-142.
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