As palavras esmagam-se entre o silêncio
Que as cerca e o silêncio que transportam
o meu cansaço é só um conceito
Serei capaz
de não ter medo de nada,
Nem de algumas palavras juntas?
As palavras fazem
Sentido (o tempo que levei até descobrir isto!),
Um sentido justo,
Feito de mais palavras
As palavras depõem
Contra o coração,
que não quer dizer nada
nem ouvir nada
Como saberei o que fazer com tantas palavras,
náufrago de palavras
Na tormenta de antigos sentidos
e de antigas dúvidas,
Sem outra coisa que me proteja
Senão mais palavras?
PINA, Manuel António, Desimaginar o mundo - ensaios, Lisboa, Documenta, 2020, p.p. 199-200.
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