O edifício da antiga Capitania de Aveiro é considerado um dos mais
significativos exemplos de arte nova na região de Aveiro e do país. As
obras que recentemente decorram neste espaço transformaram o edifício,
de grande simbolismo, na
Sala de Visitas da cidade (Câmara
Municipal de Aveiro, 2003), encontrando-se aqui instalada a Assembleia
Municipal de Aveiro. A recuperação do imóvel foi um projecto da
responsabilidade do Arquitecto Silva Dias, tendo sido inaugurado no dia
25 de Abril de 2004. Para além da Assembleia, está prevista também a
instalação de salas de exposições temporárias.
Originalmente, o
edifício era uma moagem, projectada em 1830 pelo Arquitecto Joaquim José
de Oliveira, por encomenda do fundador da Vista Alegre, José Ferreira
Pinto Basto. A implantação junto à Ria, com um grande número de arcos
submersos, justifica-se pela sua primeira vocação industrial, quando a
fábrica de moagem funcionava com moinhos de maré.
Já no final do
século XIX, um projecto do arquitecto Augusto Silva Rocha, responsável
pela traça de tantos outros edifícios Arte Nova na cidade, adaptou o
imóvel à Escola de Desenho Industrial, da qual era o presidente. A
denominada Casa dos Arcos apresenta, no primeiro piso da fachada
principal, um conjunto de vãos em arco abatido, unidos pelo varandim de
serralharia, com motivos florais, de linguagem Arte Nova.
O segundo
piso foi-lhe acrescentado já em 1908. O seu desenho procurou respeitar a
arcaria inferior, sendo que a cada arco correspondem duas janelas. Ao
centro, a varanda em arco abatido é muito semelhante às restantes,
destacando-se este corpo central por ser mais alto e rematado por um
frontão triangular, ladeado por volutas. Todo o conjunto é coroado por
modilhões.
A entrada para o edifício insere-se na fachada lateral esquerda, situada
na Rua principal. A porta tem na bandeira gradeamento Arte Nova e, por
cima, um painel de azulejo de dimensões reduzidas, azul e amarelo, com o
ano de 1918. Esta, deverá corresponder à última intervenção realizada,
que coincide com a data em que o imóvel foi adquirido por um
comerciante, antes de ser vendido ao Ministério da Marinha, em 1925.
O azulejo, de motivos florais, surge ainda nesta mesma fachada, mas no
segundo piso. Do lado esquerdo, a fachada é mais alta, com um torreão
rematado por modilhões, e uma janela com azulejos de temática marítima.
Os restantes alçados são relativamente simples, sendo que um portão de
gradeamento Arte Nova permite o acesso à zona posterior do edifício.
No novo projecto de reabilitação, assinado por Dias da Silva, a fachada
Poente da Capitania foi recuperada, mantendo o seu cromatismo, bem
como os elementos decorativos e a relação volumétrica com a cobertura.
Por sua vez, a fachada Norte (na Avenida Dr. Lourenço Peixinho), foi
reconstruída, e a fachada Sul beneficiou de "um novo desenho com
elementos decorativos relacionados com a fachada Poente" (Câmara
Municipal de Aveiro).
Fonte: http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74838