domingo, 5 de maio de 2024

O areal tardio onde abandonámos...

Praia do Amado


...A língua que estiliza a fala

TAVARES, Paulo, Órbitas, Porto, Assírio e Alvim, 2023, p. 67.



sábado, 4 de maio de 2024

Viajar!


Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes 
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E da ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

PESSOA, Fernando, Tenho medo de partir - um livro de viagens, Lisboa, Guerra e Paz, 2018, p. 145.

Arte contemporânea


Museu Pompidou Metz, Novembro de 2022

Será o amor divertido?


 Praia do Amado

Maios em Portimão






 Mercado Municipal de Portimão 

Não estás só!!!


Não estás só 
Só estarias se
O teu coração não batesse mais
E os teus pulmões não se elevassem
E a tua respiração não insistisse
Como é que podes estar só 
Se uma comunidade inteira vive dentro de ti
- tens-te a ti por inteiro do teu lado


KAUR, Rupi, Corpo casa, Alfragide, Lua de Papel, 2021, p.182.


Pessimista ou optimista?


NÃO É SER PESSIMISTA, SÓ NÃO SOU
Optimista, que o péssimo já vi
E o óptimo nem vê-lo, e se o ouvi 
Por nada o dei, por voz que não soou.
Não é ser pessimista, pessimista
Destarte não sou, posto que se o péssimo 
Novo péssimo achou e se fez decimo
Do que já foi, a ser, fui optimista
Por pensar que o pior não piorasse.

JONAS, Daniel, Nó - sonetos, Porto, Assírio e Alvim,2014, p. 58.


Interior da Igreja São Sebastião


















Ponta Delgada - São Miguel
 

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Passado...

Não poder viajar pra o passado, para aquela casa e aquela afeição, 

E ficar lá sempre, sempre criança e sempre contente!

Mas tudo nisto foi o Passado,  lanterna a uma esquina de rua velha.

Pensar nisto faz frio, faz fone duma coisa que se não pode obter.
Dá-me não sei que remorso absurdo pensar nisto.
Oh turbilhão lento de sensações desencontradas!
Vertigem ténue de confusas coisas na alma!
Fúrias partidas, ternuras como carrinhos de linha com que as crianças brincam,
Grandes desabamentos de imaginação sobre os olhos dos sentidos,

Lágrimas, lágrimas inúteis, 
Leves brisas de contradição roçando pela
a face a alma...

Evoco, por um esforço voluntário,  para sair desta emoção,
Evoco, com um esforço desesperado,  seco, nulo...

Álvaro de Campos
PESSOA, Fernando, Tenho medo de partir - um livro de viagens, Lisboa, Guerra e Paz, 2018, p.74.

Casinhas algarvias





 Portimão 

Gatos algarvios



 Portimão 

quinta-feira, 2 de maio de 2024

Universidade de Évora



 

Cala-te


Cala-te implorei à minha mente
Tanto pensar
Rouba-nos a alegria

KAUR, Rupi, Corpo casa, Alfragide, Lua de Papel, 2021, p. 122.


Sentes-te... mas não estás



Sentes-te só 
Mas não estás só 
- há uma diferença 



KAUR, Rupi, Corpo casa, Alfragide, Lua de Papel, 2021, p. 21.


De repente


Soneto de separação 

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento 
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente 
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante 
De repente, não mais que de repente 

MORAES, Vinicius de, Antologia Poética, São Paulo, Companhia das Letras, 2019, p.112.

Praia do Amado







 

Porque tive uma bela educação!

Como tu és perspicaz

Mais ninguém o descobriu

Pois sou excelente a disfarçar 

Gostei de ver a tua preocupação 

Não tenho ninguém para desabafar...

És mesmo bom rapaz 

Mas como te dizer 

Que no meio da multidão 

Procurava por ti

Mas quando te vi a tristeza atacou-me

Fortemente 

Inesperadamente 

E fiquei sem reacção...

Acho que criei muita expectativa,

Não de casamento

Mas de compensação 

Recuperar 

Tempo perdido 

Nunca será possível...

Evolução cada vez mais distante 

Não me safo da espera constante 

O que também me atormenta,

além deste apagar de liberdade...

Amizade... assim, não é solução 

Nunca saberei o que é emancipação?

Ao viver em imaginação 

Não sofria ansiedade

E muito menos frustação 

Agora só me resta saber

Vais-me curar de que tipo de dependência??

Deus me dê forças para não me apagar 

Eu quero despertar

Ter alguém para agarrar

Não quero só poetisar

Desejo saber o que faz rodar o mundo

Se um dia tirei direito 

À felicidade 

Já que só conheço a solidão 

E dos outros revolução 

Terão todos razão 

Ao referir que é tarde demais?

Recuso pensar

Todavia, não tenho força para acção...

A inexperiência de vida dá cabo de mim.

Porque tive uma bela educação!


Xpto

A imensidade imensa do mar imenso!


Portimão 


Bernardo Soares  - PESSOA, Fernando, Tenho medo de partir - um livro de d, Lisboa, Guerra e Paz, 2018, p. 60.


Cegonha, dona do convento




 Convento de São Francisco de Portimão 

Portas algarvias




 

Jantarada inesperada




Turística mas boa

Restaurante Taberna Algarvia

PORTIMÃO 

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Há dias...


Há dias
Em que a luz falha 
E depois lembro-me 
De que sou eu a luz 
Vou lá dentro e
Volto a ligá-la


KAUR, Rupi, Corpo casa, Alfragide, Lua de Papel, 2021, p. 188.


Cunhal

Incansável oferece-se o punhal

Para os órfãos livrar dos negros crepe

Mas não pode ser pai de Portugal

Quem já é um paizinho das estepes  


CORREIA, Natália, Antologia poética, Lisboa, D. Quixote, 2013, p. 229.

Melhoramos o mundo a conversar de mentira

Melhoramos o mundo a conversar de mentira, não tenho dúvida alguma. Para isso serve, todos os livros, e nenhum livro se faz sem essa rendição à maravilha em detrimento da verdade.

MÃE, Valter Hugo, Contra mim, Porto, Porto Editora, 2020 p.62.



Rio Arade


 

Farol e farolim



 Portimão