domingo, 8 de dezembro de 2024

Dói a cabeça


Quero o bem, e quero o mal, e afinal não quero nada.
Estou mal deitado sobre a direita, e mal deitado sobre a esquerda
E mal deitado sobre a consciência de existir.
Estou universalmente mal, metafisicamente mal,
Mas o pior é que me dói a cabeça.
Isso é mais grave que a significação do universo.


 PESSOA, Fernando, Tenho medo de partir - um livro de viagens, Lisboa, Guerra e Paz, 2018, p. 35




Ribeira da Torregela



 Évora 

sábado, 7 de dezembro de 2024

Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos

Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.

Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.


Caeiro, Alberto - PESSOA, Fernando, Tenho medo de partir - um livro de viagens, Lisboa, Guerra e Paz, 2018, p. 101.

Basta



Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta,
E nada que se pareça com isto deveria ser o sentido da vida...

PESSOA, Fernando, Tenho medo de partir - um livro de viagens, Lisboa, Guerra e Paz, 2018, p. 40?.

Presépios


 Sala do Capítulo da Igreja de S. Francisco de Évora 

A minha nova paixão





 Há estranhos que nos encantam lol

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Se a libertação não está em mim, não está, para mim, em parte alguma


Bernardo Santareno - PESSOA, Fernando, Tenho medo de partir - um livro de viagens, Lisboa, Guerra e Paz, 2018, p.188.

Gatos eborenses




 

Ai, palavras


Ai, palavras, ai, palavras, 
Que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro na aragem...
- sois um homem que se enforca

Meireles, Cecília, Antologia Poética, 3.a edição, Rio de Janeiro,  Relógio d' Águas Editores, 2002, p. 204



quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Senhor, ilumina a minha vida!



Igreja de São Francisco de Évora 

 

És a minha luz

 

Feliz entrelaçada em ti 

Tantos anos que te vi

A luz estava tão perto

Nunca o apercebi

Como gosto de ti

Tão apressadamente 

Amadurecimento 

Faz tudo tão diferente

E calmamente 

Vivo intensamente 

O que tanto persisti...


Pt

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Canção do amor perfeito


O tempo seca a beleza,
Seca o amor, seca as palavras.
Deixa tudo solto, leve,
Desunido para sempre
Como as areias nas águas.

O tempo seca a saudade,
Seca as lembranças e as lágrimas. 
Deixa algum retrato, apenas,
Vagando seco e vazio 
Como estas conchas das praias.

O tempo seca o desejo
E as suas velhas batalhas.
Seca o frágil arabesco,
Vestígio do musgo humano,
Na densa turfa mortuária.

Esperarei pelo tempo
Com suas conquistas áridas.
Esperarei que te seque,
Não na terra, Amor Perfeito, 
Num tempo depois das almas.


 Meireles, Cecília, Antologia Poética, 3.a edição, Rio de Janeiro,  Relógio d' Águas Editores, p. 120.


Interior de São Pedro







 São Pedro, Portel