quarta-feira, 4 de março de 2026

Sozinho

 Sozinho na grande cama,

Perdido nos seus frios corredores,

Ouço, de quartos interiores,

A tua voz que me chama.


Do fundo da noite enorme

Onde pouso a cabeça por fora

A tua voz de alguém acorda-me

Como num sono insone.


Como se a tua voz agora

Antigamente me chamasse

E tudo, menos a tua voz, faltasse

Fora da minha memória.


PINA, Manuel António, Desimaginar o mundo - ensaios, Lisboa, Documenta, 2020, p. 64.



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