Sozinho na grande cama,
Perdido nos seus frios corredores,
Ouço, de quartos interiores,
A tua voz que me chama.
Do fundo da noite enorme
Onde pouso a cabeça por fora
A tua voz de alguém acorda-me
Como num sono insone.
Como se a tua voz agora
Antigamente me chamasse
E tudo, menos a tua voz, faltasse
Fora da minha memória.
PINA, Manuel António, Desimaginar o mundo - ensaios, Lisboa, Documenta, 2020, p. 64.
Sem comentários:
Enviar um comentário