No dia em que a maré já for bonita
Serás tu a menina do barco
Dona de um abraço de agasalhar...
Virei eu do céu, na vontade que teremos
em ir buscar ao mar o beijo que perdemos
lá na tormenta, ia então a maré aflita.
E se o meu coração te pedir
para ir no barco onde o beijo encalhe
Leva-o num abraço, até esse barco
Que será meu e teu
Do tamanho do teu mar ao meu céu.
Vamos lá, por esse mar, como quem tem chão
Nesse beijo tanto de sermos nós...
Vamos lá, do mar ao céu, e depois voltar
Nesse abraço tão beijado de afecto...
No teu barco, nosso cantinho predilecto...
Por esse mar, na calma da palma de cada mão.
Para no barco sabermos, tu e eu
Se és uma estrela do mar...
se és uma estrela do céu...
ANTUNES, Fernando Machado, ... como quem lisboandando, Lisboa, Guerra e Paz Editores, 2022, p. 71
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