sábado, 13 de junho de 2026

Amor

Busque Amor novas artes, novo engenho,

Para matar-me, e novas esquivar-se,

Que não pode tirar-me as esperanças,

Que mal me tirará o que não tenho.


Olhai de que esperanças me mantenho!

Vede que perigosas seguranças!

Que não temos contrastes nem mudanças,

Andando em bravo mar, perdido o lenho.


Mas, conquanto não pode haver desgosto

Onde esperança falta, lá me esconde

Amor um mal, que mata e não se vê, 


Que dias há que na alma me tem posto

Um não sei quê, que nasce não sei onde,

Vem não sei como, e dói não sei porquê. 



Andrade, Eugénio, Sonetos de Luís de Camões escolhidos por Eugénio de Andrade, Lisboa, Assírio e Alvim, 2000, p. 20.

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