Busque Amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivar-se,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temos contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.
Andrade, Eugénio, Sonetos de Luís de Camões escolhidos por Eugénio de Andrade, Lisboa, Assírio e Alvim, 2000, p. 20.
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