O anoitecer acolheu-me
Tão suave como veludo, tão pesaroso
Como o sofrimento.
Já não recotdo a que sabe o amor,
já não recordo a incandescência dos campos,
tudo procura desvanecer-se
Para só a mim dar repouso.
Penso nele e desejo-o,
Mas entre o chegar e o dar, a estranheza,
Como se viesse de um país distante,
apenas sei o que ne cativa.
O anoitecer acolheu-me
tão suave como veludo, tão pesaroso
como o sofrimento.
E em nenhuma parte se aquieta a indignação
para alcançar uma nova alegria e tristeza.
E tudo o que outrora me chamava,
todo o passado, tão claro e tão profundo
já não me pode subjugar.
Conheço águas vastas e remotas,
Conheço uma flor que nada nomeia
O que me destruirá então?
O anoitecer acolheu-me
tão suave como veludo, tão pesaroso
como o sofrimento.
ARENDT, Hannah, Poemas, s.l., Sr. Teste Edições, 2020, p. 15
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