Fonte: http://www.villa-borg.de/pdf/flyer_borg_en.pdf
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Termas romanas na villa de BORG
Fonte: http://www.villa-borg.de/pdf/flyer_borg_en.pdf
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Vila romana de Borg
It stands on the original foundations, and today probably looks much as it did during the 2nd and 3rd century AD. The interior has been designed to meet contemporary requirements and accommodates the ticket office, museum shop and administrative offices.
More than 100 years ago, a teacher called Johann Schneider discovered traces of a Roman settlement between Borg and Oberleuken and carried out the first small-scale excavations. Since 1 April 1987, the cultural foundation for the district of Merzig-Wadern in collaboration with the state conservation office, the public employment service and the municipality of Perl, have all been involved in the scientific excavation of a Roman villa in Borg.
In the tavern of the Roman villa, our chefs prepare Roman specialities based on recipes drawn up by the gourmet Marcus Gavius Apicius. Both the tavern and the "Great Hall" with its unique atmosphere are ideal for festivities involving up to 120 people. Only the outside appearance of the reconstructed residential building and workshop area is similar to its ancient predecessor.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
CAIS
Os mares que percorro são profundos
e as noites que miro săo escuras.
O barco que me leva, busca um porto
onde eu possa germinar silenciosa.
Os faróis mal iluminam os recifes
e vez por outra um tranco me sacode.
As garrafas de gim estăo vazias
e a lucidez me espreita nas balsas
que procuram náufragos e bêbados.
A manhã vem rompendo macia
na boca e nos beijos de uma mulher
saindo das conchas dos sonhos.
O gesto de partir nada tem de mágico.
E ancorado nuns braços
em meio a tormenta, fico.
O gesto de ficar é mais fascínio.
Ah! Quanta ventura em jogar a âncora
e ir ficando, no teu corpo, ir ficando…
Jurema Barreto de Souza
FONTE: http://www.kplus.com.br/materia.asp?co=689&rv=Cigarra
domingo, 21 de agosto de 2011
Poesia de Jorge de Sena
cresce o mal com os anos
vão-se descobrindo
com o tempo os enganos.
Fonte: http://www.letras.ufrj.br/posverna/mestrado/QueirozFTH.pdf
sábado, 20 de agosto de 2011
Hidrovião
A primeira etapa da viagem foi concluída, no mesmo dia, sem incidentes em Las Palmas, nas Ilhas Canárias, embora tenha sido notado, por ambos, um excessivo consumo de combustível.
No dia 5 de Abril, partiram rumo à Ilha de São Vicente, no Arquipélago de Cabo Verde, cobrindo 850 milhas. Lá se demoraram até 17 de Abril para reparos no hidroavião - que fazia água nos flutuadores -, tendo partido das águas do porto da Praia, na Ilha de Santiago
Com a opinião pública portuguesa e brasileira envolvida no feito, o Governo Português enviou outro hidroavião Fairey, baptizado como Pátria, a partir de Fernando de Noronha, pelo navio brasileiro Bagé, que chegou no dia 6 de maio. Tendo o hidroavião sido desembarcado, montado e revisado, a 11 de maio decolaram de Noronha. Entretanto, nova fatalidade acometeu os aeronautas, quando, tendo retornado e sobrevoando o arquipélago de São Pedro e São Paulo para reiniciar o trecho interrompido, uma pane no motor obrigou-os a amarar de emergência, tendo permanecido nove horas como náufragos, até serem resgatados por um cargueiro inglês - o Paris City, em trânsito na região.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Gago Coutinho e Sacadura Cabral
No decurso destes trabalhos fez a pé a travessia da África, onde conheceu Sacadura Cabral.
Assim preparados, em 1922, no contexto das comemorações do centenário da Independência do Brasil, os dois aviadores realizaram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, sendo recebidos entusiasticamente em várias cidades do Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo, Recife), bem como no regresso a Portugal. Gago Coutinho recebeu largo reconhecimento devido a este feito, tendo sido promovido a contra-almirante e condecorado com as mais altas e prestigiosas distinções do Estado Português, além de ter recebido várias outras condecorações estrangeiras. Retirou-se da vida militar em 1939.
Unanimemente considerado um aviador distintíssimo pelas suas qualidades de coragem e inteligência, notabilizou-se a nível mundial, ultrapassando as insuficiências técnicas e materiais que na época se faziam sentir.
Em 1907 chegou a Moçambique uma missão geodésica de que era chefe Gago Coutinho. No desempenho de missões geodésicas e geográficas, trabalharam juntos desde 1907 a 1910. Sacadura Cabral revelou nestes trabalhos as suas capacidades como geógrafo e astrónomo, bem como organizador.
Em 1911 concorreu aos serviços de Agrimensura de Angola, tendo sido nomeado para o lugar de subdirector destes serviços. Em Angola desempenhou vários serviços neste cargo, entre os quais observações astronómicas no Observatório de Angola e o reconhecimento da fronteira da Lunda. Em 1912 participou, com Gago Coutinho, na missão do Barotze, a fim de se delimitarem as fronteiras leste de Angola, o que foi feito em mais de 800 quilómetros. Sacadura Cabral regressou à metrópole em 1915.
Entretanto o Aero Club de Portugal procurava fazer propaganda da aviação e conseguiu que o governo abrisse um concurso para que os oficiais do exército e da marinha fossem enviados a várias escolas estrangeiras de aviação para nelas obterem o brevet de piloto aviador militar.
Sacadura Cabral foi para a França e deu entrada na Escola Militar de Chartres. Em 11 de Novembro de 1915 realizou o seu primeiro voo como passageiro e, a 16 de Janeiro de 1916 fez o seu primeiro voo como piloto.
Sacadura Cabral foi enc
Demonstrou, nesse mesmo ano, a viabilidade de vir a ser tentada a viagem aérea Lisboa-Rio de Janeiro, tendo sido nomeado para proceder aos estudos necessários para a sua efectivação. Foi então à Inglaterra e à França, a fim de escolher o melhor material para equipar a Aviação Marítima, e propor o tipo de aparelho em que poderia vir a ser tentada a viagem Portugal-Brasil. Enquanto esteve nestes dois países desempenhou as funções de adido aeronáutico. Em 1920 fez parte da Comissão Mista de Aeronáutica.
Em 1921 realizou, com Gago Coutinho e Ortins de Bettencourt, a viagem Lisboa-Madeira, para experiência dos métodos e instrumentos criados por ele e Gago Coutinho para navegação aérea que, em 1922, vieram a ser comprovados durante a primeira travessia aérea do Atlântico Sul.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
DE CASTELO A CONVENTO
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Castelo de Alcácer do Sal
Alcácer do Sal e o seu castelo só foram definitivamente conquistados no rein
No século XIII, D. Dinis (1279-1325) no âmbito da remodelação das defesas do país, procedeu a ampliação e reforço das defesas desta povoação. No contexto da crise de 1383-1385, a vila e o seu castelo tomaram o partido do mestre de Avis, tendo aquartelado tropas sob o comando do condestável D. Nuno Álvares Pereira.
Quando da crise de sucessão de 1580, as defesas de Alcácer do Sal, mal preparadas para o fogo da artilharia, não ofereceram séria resistência às tropas de Filipe II de Espanha (1580). O
Exemplo da arquitectura militar islâmica, o castelo ergue-se na cota de sessenta metros acima do nível do mar, com planta aproximadamente elíptica, alcançando uma extensão de 260 metros no seu eixo maior e de 150 metros, no menor. Nos troços remanescentes das muralhas observam-se os vestígios de cerca de trinta torres em alvenaria de pedra e outras estruturas defensivas, inclusive uma albarrã semelhante à do Castelo de Badajoz, testemunhos de várias épocas construtivas. Entre as torres destaca-se a chamada Torre da Adaga, por apresentar esta arma esculpida em uma pedra. A Torre do Relógio e a Torre de Algique foram erguidas em taipa, elevando-se a 25 metros de altura.
FONTE: WIKIPEDIA
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Ponte Metálica de Alcácer do Sal
O tabuleiro metálico, com uma extensão de 107,45 metros repartidos por três tramos, é destinado ao transporte rodoviário. Para atenuar os congestionamentos foi montado um porão provisório, ao lado da estrutura metálica para que a travessia se pudesse fazer em simultâneo nos dois sentidos.
Em Outubro de 2007 começaram as obras de recuperação da ponte que permite o trânsito de veículos pesados e voltará a ter o tramo levadiço operacional, deixando passar as embarcações à vela, nomeadamente os dois barcos tradicionais da Câmara Municipal de Alcácer do Sal.
Fonte:http://www.cm-alcacerdosal.pt/PT/Concelho/Patrimonio/PatrimonioArquitectonico/Equipamento/Paginas/PontemetalicadeAlcacerdoSal.aspx
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
RIO SADO
O rio Sado não tem um grande caudal devido a vários factores, destacando-se dois: o clima mais árido do Alentejo, onde se encontra a sua nascente; e o desnível, pequeno, entre a altitude da nascente e a altitude da foz.
FONTE: WIKIPÉDIA.
sábado, 13 de agosto de 2011
GALEÕES
A Câmara Municipal de Alcácer do Sal possui dois galeões do sal, embarcações tradicionais praticamente únicas no mundo, já que das quinze que se pensa terem sobrevivido até hoje, poucas se encontram a navegar e ainda menos no nosso país, de onde são originárias. O Amendoeira e o Pinto Luísa são pois testemunhas singulares desse passado em que o Sado era o principal “motor” económico da região, repleto de embarcações que transportavam mercadorias e gentes.
As primeiras embarcações de carga terão resultado da conversão de pequenos barcos de pesca em galeões de transporte de sal. Com as devidas adaptações, o galeão apresentava o seu casco alongado para melhor navegação fluvial, popa ogivada com leme por fora e roda de proa quase vertical. O convés era corrido com duas grandes escotilhas para carregamento de sal.
Um Galeão é o da Amendoeira, a embarcação tradicional tem 18,84 metros de comprimento e lotação de 50 pessoas. Foi construída em 1925, na praia da Saúde, em Setúbal, por Artur Santos.Pertenceu inicialmente à firma “Manuel Francisco Afonso Herdeiros Lda.”, operando como embarcação de tráfego local. Foi adquirido, em 1972, pela empresa “Unisado – União Salineira do Sado, lda”, que vendeu o galeão, em 1984, a Henri Frank van Uffelen Elisabeth. Este submeteu-o a obras de reconversão. Em 1997 foi sujeito à retirada de alguns dos seus elementos descaracterizadores.Em 2004 foi adquirido pela Câmara Municipal de Alcácer do Sal. Naufragou no ano seguinte junto à praia “dos Fuzileiros”, em Tróia, só regressando “a casa” em 2007, depois de uma complexa operação de resgate e do seu total restauro, com substituição do cavername, aparelhagem, motor, instalação eléctrica e modernização dos sistemas de segurança.
Um outro Galeão é o Pinto Luísa. Construído em Setúbal, em 1946, este galeão mede 19,30 metros e tem uma lotação de meia centena de pessoas. Deve o seu nome ao primeiro proprietário, o sr. Pinto que, ao baptizar a embarcação, ao seu nome acrescentou o da sua filha, Luísa. Foi adquirido por Carlos Bicha, de Alcácer do Sal, que o utilizou para transporte, nomeadamente de sal, até que, em 1985, Venâncio Bicha, neto do anterior proprietário, o converteu em embarcação de lazer.Em 2003 é adquirido pela Câmara Municipal de Alcácer do Sal e em 2006 iniciou uma intervenção de recuperação global de forma a oferecer as melhores condições de segurança e conforto.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
CAIS PALAFÍTICO
Ponto de atracção turística, é um dos locais mais visitados no concelho, o cais continua, no entanto, a cumprir a missão para que foi construído: permitir o acesso dos pescadores aos barcos, mesmo durante a baixa-mar. Ao longo dos diversos cais erguem-se pequenas casas construídas em madeira, que servem de arrecadações.
FONTE: http://www.skyscrapercity.com/archive/index.php/t-837860.html E http://www.cm-alcacerdosal.pt/PT/Concelho/Patrimonio/PatrimonioArquitectonico/Civil/Paginas/CaisPalafiticodaCarrasqueira.aspxCARRASQUEIRAVila
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
CAIS PALAFÍTICO DA CARRASQUEIRA
Integrada na reserva natural do Estuário do Sado, a aldeia ribeirinha conserva uma impressionante rede de estacaria que se estende centenas de metros pelos esteiros lamacentos do rio Sado.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
CABANAS DE COLMO
Construídas com caniços e madeira, as cabanas de colmo, que ainda hoje podemos ver em grande número na Carrasqueira, fazem lembrar as vidas difíceis dos trabalhadores rurais, dos pescadores e dos salineiros que em tempos habitaram os vastos terrenos da Herdade da Comporta.
Estas construções surgiram da necessidade de alojar os trabalhadores da herdade e tinham um carácter de abrigo provisório. Os proprietários dos terrenos não permitiam aos seus funcionários edificarem habitações em materiais mais sólidos e duradouros, pois isso, posteriormente, poderia dar-lhes algum direito de posse.
Actualmente, as cabanas de colmo são consideradas património cultural, sendo que algumas delas são usadas como alojamento eco-turístico.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
ARROZ
Para poder ser cultivado com sucesso, o arroz necessita de água em abundância, para manter a temperatura ambiente dentro de intervalos adequados, e, nos sistemas tradicionais, de mão-de-obra intensiva. Desenvolve-se bem mesmo em terrenos muito inclinados e é costume, nos países do sudeste asiático, encontrarem-se socalcos onde é cultivado. Em qualquer dos casos, a água mantém-se em constante movimento, embora circule a velocidade muito reduzida.
FONTE. WIKIPÉDIA.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
domingo, 7 de agosto de 2011
ESTEVA
É nativa da parte ocidental da região mediterrânica, crescendo espontaneamente desde o sul de França a Portugal e no noroeste de África. O nome do género da esteva - Cistus - tem a ver com o facto de os seus frutos serem cápsulas globosas com 7 a 10 compartimentos.
É uma planta ornamental popular, cultivada devido à sua folhagem aromática e belas flores. As folhas libertam uma resina aromática, o ládano ou lábdano, usado em perfumes, especialmente como fixador.
sábado, 6 de agosto de 2011
Temporada
caminhava sobre o mar, esfregando
seu frágil corpo de ave. A sua carne.
Esfregando seu corpo, por vaidade.
E năo o viam, ou o sabiam como,
ou de onde seria o cair de sua tarde.
Caminhava sobre o mar, sem rosto.
Arrancando carne do peito, posto
fosse esse o seu dever. Seu sangue.
Arrancando carne de seu peito,
(năo sendo mais que obrigaçăo
ou algo que qualquer pelicano
teria feito) voltava de seu mar.
Para sempre a sua função
Nunca nada mais que outro
năo teria feito, năo. Sem rosto
caminhava sobre a margem.
Nunca nenhum horizonte,
bem que o mar fosse todos
E para além de nenhum rosto,
No vermelho da tarde, do sangue, da carne,
Arrancara alguma maquilhagem.
Logo lavada pelo mar, sua funçăo. Por sua
margem. Por sua própria impossibilidade.
Eduardo Lacerda
Fonte: http://www.kplus.com.br/materia.asp?co=689&rv=Cigarra
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Braço de Mar
e o luar lhe faz a corte
năo há medida do homem
entre a praia e o horizonte
O mar já veio antes da onda inventar o tempo
É ele quem trai o porto
e ascende o pavio da bomba
que puxa a noite do poço e corta os pulsos da sombra
E mesmo no sol,
o mar traça seu jogo de conveniências
suas algas postas de molho
sua escultura sem cabeça
O mar é sempre começo
Nei Duclós(No mar, veremos. Săo Paulo, Editora Globo, 2001).
FONTE: http://www.kplus.com.br/materia.asp?co=689&rv=Cigarra
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
O Banhista
um dia de verăo
quando tua voz acesa percorresse,
consumindo-o, o pavio de um verso até sua última sílaba inflamável
quando o súbito atrito de um nome em tua memória te incendiasse os cabelos
(e sobre tua pele de fogo a brisa fizesse rasgaduras de água)
Carlito Azevedo, Do livro: as banhistas, Editora Imago
FONTE: http://www.kplus.com.br/materia.asp?co=689&rv=Cigarra
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
O Infante
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te portuguez...
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Fernando Pessoa
FONTE: http://www.kplus.com.br/materia.asp?co=689&rv=Cigarra
terça-feira, 2 de agosto de 2011
MAR PORTUGUÊS
Não podemos falar de poesia nem de
mar sem falar de Fernando Pessoa, poeta português que enalteceu a sua importânica na história de Portugal. Afinal, fomos nós os portugueses que o desbravamos nessa longíqua idade de ouro da nossa história que são os Descobrimentos!
Ó mar salgado, quanto do teu sal
Săo lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas măes choraram,
Quantos filhos em văo rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa
FONTE: http://www.kplus.com.br/materia.asp?co=689&rv=Cigarra
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
MAR ABSOLUTO
E multidőes passadas me empurravam
como o barco esquecido.
Agora recordo que falavam
da revolta dos ventos,
de linhos, de cordas, de ferros,
de sereias dadas à costa.
E o rosto de meus avós estava caído pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas,
e pelos mares do Norte, duros de gelo.
Entăo, é comigo que falam,
sou eu que devo ir.
Porque năo há ninguém,
tăo decidido a amar e a obedecer a seus mortos.
E tenho de procurar meus tios remotos afogados.
Tenho de levar-lhes redes de rezas,
campos convertidos em velas,
barcas sobrenaturais
com peixes mensageiros
e cantos náuticos.
E fico tonta,
acordada de repente nas praias tumultuosas.
E apressam-me, e năo me deixam sequer mirar a rosa-dos-ventos.
"Para adiante! Pelo mar largo!
Livrando o corpo da liçăo da areia!
Ao mar! - Disciplina humana para a empresa da vida!
"Meu sangue entende-se com essas vozes poderosas.
A solidez da terra, monótona,
parece-mos fraca ilusăo.
Queremos a ilusăo grande do mar,
multiplicada em suas malhas de perigo.
Queremos a sua solidăo robusta,
uma solidăo para todos os lados,
uma ausência humana que se opőe ao mesquinho formigar do mundo,
e faz o tempo inteiriço, livre das lutas de cada dia.
que os homens sentem, seduzidos e medrosos.
O mar é só mar, desprovido de apegos,
matando-se e recuperando-se,
correndo como um touro azul por sua própria sombra,
e arremetendo com bravura contra ninguém,
e sendo depois a pura sombra de si mesmo,
por si mesmo vencido. É o seu grande exercício.
Năo precisa do destino fixo da terra,
ele que, ao mesmo tempo,
é o dançarino e a sua dança.
Tem um reino de metamorfose, para experiência:
seu corpo é o seu próprio jogo,
e sua eternidade lúdica
năo apenas gratuita: mas perfeita.
Baralha seus altos contrastes:
cavalo, épico, anémona suave,
entrega-se todos, despreza ritmo
jardins, estrelas, caudas, antenas, olhos,
mas é desfolhado, cego, nu, dono apenas de si,
da sua terminante grandeza despojada.
Năo se esquece que é água, ao desdobrar suas visőes:
água de todas as possibilidades,
mas sem fraqueza nenhuma.
E assim como água fala-me.
Atira-me búzios, como lembranças de sua voz,
e estrelas eriçadas, como convite ao meu destino.
Não me chama para que siga por cima dele,
nem por dentro de si:
mas para que me converta nele mesmo. É o seu máximo dom.
Năo me quer arrastar como meus tios outrora,
nem lentamente conduzida,
como meus avós, de serenos olhos certeiros.
Aceita-me apenas convertida em sua natureza:
plástica, fluida, disponível,
igual a ele, em constante solilóquio,
sem exigências de princípio e fim,
desprendida de terra e céu.
E eu, que viera cautelosa,
por procurar gente passada,
suspeito que me enganei,
que há outras ordens, que năo foram ouvidas;
que uma outra boca falava: năo somente a de antigos mortos,
e o mar a que me mandam năo é apenas este mar.
Năo é apenas este mar que rebola nas minhas vidraças,
mas outro, que se parece com ele
como se parecem os vultos dos sonhos dormidos.
E entre água e estrela estudo a solidão.
E recordo minha herança de cordas e âncoras,
e encontro tudo sobre-humano.
E este mar visível levanta para mim
uma face espantosa.
E retrai-se, ao dizer-me o que preciso.
E é logo uma pequena concha fervilhante,
nódoa líquida e instável,
célula azul sumindo-se
no reino de um outro mar:
ah! do Mar Absoluto.
Cecília Meireles
FONTE: http://www.kplus.com.br/materia.asp?co=689&rv=Cigarra



