Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada
À parte isso
Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
CAMPOS, Álvaro de, “Tabacaria”, Poesia de Álvaro de Campos, Lisboa, Assírio e Alvim, 2001, p.320.
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada
À parte isso
Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
CAMPOS, Álvaro de, “Tabacaria”, Poesia de Álvaro de Campos, Lisboa, Assírio e Alvim, 2001, p.320.
No segundo confinamento Covid, em Março de 2021, entretive-me muito no quintal da minha casa de infância e aproveitei todos os momentos que a natureza me ofereceu a desfrutar, como o do almoço desta abelha ;D
As imagens transbordam fugitivas
E estamos nus em frente às coisas vivas.
Que presença jamais pode cumprir
O impulso que há em nós, interminável,
De tudo ser e em cada flor florir?
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Obra do mar, Caminho, 5.ª edição, 2005, p. 59.
No promontório o muro nada fecha ou cerca.
Longo muro branco entre a sombra do rochedo e as lâmpadas das águas.
No quadrado aberto da janela ao mar cintila coberto de escamas e brilhos como na infância.
O mar ergue o seu radioso sorrir de estátua arcaica.
Toda a luz se azula.
Reconhecemos nossa inata alegria: a evidência do lugar sagrado.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Ilhas, Assírio & Alvim, 6.ª edição, 2016, p. 67.
As verdades sobre a escrita podem ser apreendidas antes mesmo de publicarmos uma palavra, as verdades sobre a vida só podem ser apreendidas quando já é demasiado tarde para ter qualquer importância.
BARNES, Julian, O papagaio de Flaubert, Lisboa, Quetzal, 2019, p. 217
Privar a humidade a um soneto
é deixá-lo sem graça e consequente
em ressequidas quadras, os tercetos
com versos muito enxutos. O soneto
quer-se-lhe molhado como pão-de-ló,
esse de crosta leve como sol,
as gemas a tremer ainda moles
e um exótico cheiro a Jericó
Assim, com rima feita e reforçada
a escorrer pela sílaba a escansão,
a emoção bebendo a emoção
(...)
Fica suave o teu beijar no mar,
traz-me gotas salgadas nos teus lábios
para me refrescares...
José Alberto, poeta eborense