quinta-feira, 11 de abril de 2024

N. Sra. Me dê a mão





Cuida do meu coração 

 Évora 

Sou teu (tua)


Sou teu, que posso eu sequer dizer-te?
A ti te reconheço meu Senhor.
Em nada te acrescento; o meu amor
Não pode adiantar-te ou comover-te.
Aqui estão os meus fins nas tuas mãos. 
Ensina-me os meus sins com os teus nãos.

 JONAS, Daniel, Nó - sonetos, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 10.


Dialética


É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção 
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz 
Mas acontece que eu sou triste...

MORAES, Vinicius de, Antologia Poética, São Paulo, Companhia das Letras, 2019, p. 263.




quarta-feira, 10 de abril de 2024

terça-feira, 9 de abril de 2024

Passa...

Passa, lento vapor, passa e não fiques...

Passa de mim, passa da minha vista,
Vai-te de dentro do meu coração,
Perde-te no Longe, no Longe, bruma de Deus,
Perde-te, segue o teu destino e deixa-me...
(...)



PESSOA, Fernando, Tenho medo de partir - um livro de viagens, Lisboa, Guerra e Paz, 2018, p. 86.

É inútil mostrar a história a quem está barricado na ideologia

Porque razão, como perguntava Eduardo Lourenço, há esta necessidade de crucificar o passado português. A razão é ideológica e política. Por isso,(...) a informação não entra nem passa. Há pessoas, dentro e fora da academia, que são impenetráveis  a um conhecimento actualizado sobre história da escravatura, porque usam uma couraça chamada ideologia.(...)

Há, ainda assim, que continuar a tentar mostrar o que aconteceu e como aconteceu, mais para esclarecer a opinião pública do que para tentar convencer quem não quer ser convencido. É inútil mostrar a história a quem está barricado na ideologia.

No tempo de Salazar, a propaganda do regime fazia dos antigos portugueses os melhores do mundo, heróis sem defeito e sem mácula.  Agora os combates ideológicos da extrema-esquerda politicamente correcta empurraram-nos para o lado oposto e os nossos antepassados passaram a ser os piores do mundo, os facínoras por excelência,  os inventores da pior das escravaturas (...) Será possível termos uma visão equilibrada e sobretudo contextualizada do passado?

MARQUES, João Pedro, Combates pela verdade - Portugal e os escravos, Lisboa, Guerra e Paz, 2020, p.91-92.

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Igreja de São Mamede





 

Vontade de gritar ão ão

Atração

Não

É solução!

Paixão?

Questão 

Em eterna averiguação 

Demasiada razão 

Demorada criação 

Desejar compensação 

Depois de descobrir tentação 

Espera revela frustação 

Revela-se bonacheirão 

Porque nem há marcação...

Qual será a minha próxima ocupação?

Vazio no coração...

Solidão...

Manutenção...

Anseio evolução 

Mas só vivo uma prisão 

Quando haverá participação????


Xpto

Terá a Rupi razão nesta forma de meditação?


KAUR, Rupi, Corpo casa, Alfragide, Lua de Papel, 2021, p. 75.


sábado, 6 de abril de 2024

Fonte à noite






Fonte das Portas de Moura - Évora 
 

Escrever

Escrever... é um mistério que produziu homens onde antes não existiam senão bestas bípedes.

MARMELO, Manuel Jorge, Macaco Infinito, Lisboa, Quetzal, 2016, p. 168.

Nesta noite fria

Nesta noite fria 

Sento-me no banco 

onde te conheci

De tarde passei

Na rua onde te beijei

Sinto-te ausente

Mon cheri

Perdi uma face

Figo

Permaneço

Em mim

Enfraqueço

Cada vez menos percebo

Se é jogo

Lição em troca de experiência 

Experiência em troca de unicidade

Nada troquei 

Amêndoa ou bombom

Não serás o meu sexbomb

Aprender por aprender

Causa no coração opacidade 

Sofrer sem liberdade...


Xpto

Vamos lá ao cozido









 Cozido das furnas

São Miguel

Marina de Vila Franca do Campo









 SÃO MIGUEL

Igreja de São Sebastião





 Ponta Delgada, São Miguel 

sexta-feira, 5 de abril de 2024

A meditação suscitada pela escrita

A meditação suscitada pela escrita oferece nitidez aos instantes  onde preponderam as decisões mais endémicas e modeladoras de todas. A observação nítida desses acontecimentos, exposta a emoção que os acompanhou, é, ao menos para mim, que sou o objecto inventado por esta infância, algo de valor incalculável. 

MÃE, Valter Hugo, Contra mim, Porto, Porto Editora, 2020 p. 280.

Vacas felizes


 SÃO MIGUEL

Hotel São Miguel Park






Ponta Delgada - São Miguel

Espaçoso, limpo, bem decorado e com funcionários simpáticos!
A cama era enorme assim como a banheira...
O restaurante tinha boa comida e variada e muita animação!
 

Mandrágora







 Évora 

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Ó Deus das abelhas

 


santificado

em todas as plantas

e neles abençoado


fazedor de pássaros 

e do brilho que há na água


como podes tu ter

o poder das amoras


e nelas o silêncio 

das minhas mãos


PIRES, Carlos Lopes, Se houver domingo à tarde; Leiria, Hora de Ler, 2021, p. 29.

Sem dança

Sem dança 

Desesperança 

Não alcança 

Aventurança

Cansa

Falta de pujança 

Descrença 


Na vivência 

Há desistência 

Sem fragrância 

Penitência 

Ânsia 

Demasiada sindicância


Abraça 

a desgraça 

Não de loiça 

E a doença 

Começa,

despedaça


Não desejo vingança 

Só alguém que me conheça 

Demasiado tempo criança 

Não quero indiferença...


Xpto 

Restaurante Mané






 Boa comida, bom ambiente com simpatia e calmaria como se quer ;)

Portimão

Procissão do Enterro do Senhor






 Évora 

A História não é moldável

... a História não é uma plasticina que possamos moldar  ao nosso gosto e à medida das nossas conveniências.

MARQUES, João Pedro, Combates pela verdade - Portugal e os escravos, Lisboa, Guerra e Paz, 2020, p.184. 

Denúncia

Sonharei, no teu seio calmo,

o sonho invisível do cego de nascença.


Dormirei, no teu cerrar de pálpebras,

como um peixe desliza entre os ramos de árvore 

reflectidos na água.


Dormirei, nas tuas mãos pousadas no meu corpo,

o desejo de te acariciar sem perigo 

- não vá tirar-te escamas, borboleta presa.


Dormirei, no teu sexo, a solidão do meu

ao existir para que eu pense em ti.


Dormirei, na tua vida, a teimosia humana

de um sentido universal para as coisas connosco.


E se depois, meu amor, formos estéreis,

se a demora do temor tiver sido um gesto abandonado,

e a morte, à nossa volta, um moleiro sem trigo,

o mundo que vier inveja-nos

e o nosso espírito há-de perdoar-nos.


SENA, Jorge de , Coroa da Terra, Assóirio e Alvim, 2021, p. 36

quarta-feira, 3 de abril de 2024

É só esta ausência que me abraça

nada nos pássaros 

me diz que hoje

é domingo


nada no céu azul

nada nas árvores 


é só esta ausência 

que me abraça


repetidamente à tarde 


PIRES, Carlos Lopes, Se houver domingo à tarde, Leiria, Hora de Ler, 2021, p. 25.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Não quero pensar em ti

Mas só me apetece estar em ti


XPTO 

Chuva na Primavera

Évora 


Enquanto o dia se desenha
Em chuva  - manhã de Maio,
Do início. Enquanto a incerteza 
Ainda autoriza esperança,

A cabeça refugiada
Do sono vacila na insegurança 
De tal descoberta, a chuva
Silenciou os pássaros.

Olha-se a solidão da página 
Na luz precária da madrugada
E desiste-se de redimi-la
Com letras distorcidas

E perguntas por fazer.
A chuva pára; os pássaros 
Retomam a celebração do dia.

OLIVEIRA, José Carlos, Chuva na Primavera in De passagem,  Porto, Assírio e Alvim, 2018, p. 51.


Não desesperar de aprender


Não desesperar de aprender
Uma arte que console,
Se não da vida efémera 
Da ingratidão da arte.

OLIVEIRA, José Carlos, Jangada in De passagem,  Porto, Assírio e Alvim, 2018, p. 41.