terça-feira, 14 de setembro de 2021
Almoço
No segundo confinamento Covid, em Março de 2021, entretive-me muito no quintal da minha casa de infância e aproveitei todos os momentos que a natureza me ofereceu a desfrutar, como o do almoço desta abelha ;D
segunda-feira, 13 de setembro de 2021
Estamos nus
As imagens transbordam fugitivas
E estamos nus em frente às coisas vivas.
Que presença jamais pode cumprir
O impulso que há em nós, interminável,
De tudo ser e em cada flor florir?
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Obra do mar, Caminho, 5.ª edição, 2005, p. 59.
Promontório
No promontório o muro nada fecha ou cerca.
Longo muro branco entre a sombra do rochedo e as lâmpadas das águas.
No quadrado aberto da janela ao mar cintila coberto de escamas e brilhos como na infância.
O mar ergue o seu radioso sorrir de estátua arcaica.
Toda a luz se azula.
Reconhecemos nossa inata alegria: a evidência do lugar sagrado.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Ilhas, Assírio & Alvim, 6.ª edição, 2016, p. 67.
domingo, 12 de setembro de 2021
Piscina natural Simão Dias
"A Piscina Natural Simão Dias, mais conhecida como a Poça Simão Dias, é uma piscina natural das mais bonitas dos Açores. É a maior piscina natural da ilha de São Jorge e está localizada no Fajã do Ouvidor, na freguesia do Norte Grande, e tem um grande destaque na ilha.
A Poça Simão Dias é local de visita obrigatória no seu roteiro. As suas águas são cristalinas e a temperatura amena, proporcionando banhos agradáveis aos visitantes que preferem as águas mais mornas.
A piscina é extensa e cercada por formações rochosas derivadas de erupções vulcânicas. Chama à atenção pela beleza das suas águas azuis e por ser cercada por um paredão negro que provoca o contraste perfeito."
Fonte: https://byacores.com/piscina-poca-simao-dias/
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
Verdades apreendidas
As verdades sobre a escrita podem ser apreendidas antes mesmo de publicarmos uma palavra, as verdades sobre a vida só podem ser apreendidas quando já é demasiado tarde para ter qualquer importância.
BARNES, Julian, O papagaio de Flaubert, Lisboa, Quetzal, 2019, p. 217
terça-feira, 7 de setembro de 2021
Receita para um soneto não liofilizado
Privar a humidade a um soneto
é deixá-lo sem graça e consequente
em ressequidas quadras, os tercetos
com versos muito enxutos. O soneto
quer-se-lhe molhado como pão-de-ló,
esse de crosta leve como sol,
as gemas a tremer ainda moles
e um exótico cheiro a Jericó
Assim, com rima feita e reforçada
a escorrer pela sílaba a escansão,
a emoção bebendo a emoção
(...)
sábado, 4 de setembro de 2021
O teu beijar no mar
Fica suave o teu beijar no mar,
traz-me gotas salgadas nos teus lábios
para me refrescares...
José Alberto, poeta eborense
sexta-feira, 3 de setembro de 2021
quarta-feira, 1 de setembro de 2021
terça-feira, 31 de agosto de 2021
Históricas ausências
Faltar-me-ias tanto. Muito e tanto
como tarde de súbito a fugir
em direcção à noite. Corte tão
cheio de pagens e papoulas,
de canela e marfim.
Tudo sem ti, porém. Tudo sem ti.
(E repetir o verso faz-me bem
- consolo de quem tem o que
não há, ou seja: tu). Faltas-me em
sobressalto e em granito de
estátua que não está
e cujo corpo
nem sequer vi
nu.
(dedico este poema ao meu quase amigo P)
AMARAL, Ana Luísa, Imagias, Gótica, Viseu, 2002, p.72
segunda-feira, 30 de agosto de 2021
domingo, 29 de agosto de 2021
sábado, 28 de agosto de 2021
sexta-feira, 27 de agosto de 2021
Numa planície
Sonhei com lúcidos delírios
À luz de um puro amanhecer
Numa planície onde crescem lírios
E há regatos cantantes a correr.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Obra do mar, Caminho, 5.ª edição, 2005, p. 53.
quinta-feira, 26 de agosto de 2021
Quando não se tem coragem de o admitir
(...)
Porém, não teve a coragem de o admitir, ou mesmo de actuar em conformidade com os seus sentimentos.
Chegou ao hotel com uma terrível sensação de mal-estar, que admitiu ser resultante da sua permanente dificuldade em mostrar o que sentia, ou seja, de dizer as palavras que ficavam sempre por dizer.
Tão pouco fora capaz de mostrar o seu interesse por Ayan. Mais uma vez prevalecera em «imagem» que se havia imposto transmitir de si própria, em detrimento dos seus sentimentos mais profundos. Seria alguma vez capaz de se revelar a alguém?...
CABRAL, Helena Sacadura, Caminhos do coração, Lisboa, Clube do Autor, 2011, p 118.
quarta-feira, 25 de agosto de 2021
O sol
Pouco depois, o sol entrava também na sala. Vinha todas as tardes antes de desaparecer por detrás dos telhados vizinhos. Entrava com esse silêncio e esse mesmo vagar com que se distendem as ilhas de água derramada nos soalhos, subia à mesa que estava no centro e iluminava, desbotando-as mais, as velhas flores de papel na sua jarra; ia até a parede de fundo e lá dava a ilusão de se fixar por algum tempo; depois, indiferente à vida da sala, começava a recuar, a encolher-se, sempre vagarosamente.
CASTRO, Ferreira de, A experiência, Lisboa, Cavalo de ferro, 2014, p. 64

























