segunda-feira, 12 de junho de 2023

domingo, 11 de junho de 2023

Largo 1.o de Maio


 Évora 

Solteirice

 Espeta-te com o garfo.

Corta-te com a           faca.

Deita-te no prato.

Espera.


 O' NEILL, Alexandre, Anos 70 - Poemas dispersos, 2.ª edição, Lisboa, Assírio & Alvim, 2009, p 68.

sábado, 10 de junho de 2023

De Lisboa: Uma canção incabada...

 Não será irreal, nem terá,

como a outra, um tamisa a banhá-la,

mas o seu rio, de estuário tão largo como

o céu, não deixa de ser belo

 

É, por vezes, de muito mais pungente nitidez

do que aquela que encosta a sua pele

às margens

de outros rios (o que inspirou em ninfas

o poeta inglês, ou em louras

guerreiras o músico alemão)


(...)

 AMARAL, Ana Luísa, Imagias, Gótica, Viseu, 2002, p.34.

Linha ferroviária


 Portimão 

Barulho do vento


 Para relaxar

Na Praia da Rocha


Quando tudo é claro ao meu redor

como aquela luz (onde a vi?)

do princípio e do ardor do mundo

e estão presentes com seus aromas

a terra a mulher e o mar

e as garras  de seda do desejo

lembro-me António dos poemas

que nos leste ora ao sol ora

ao abrigo de uma rocha

ou animal mitológico

Sob o vasto céu do verão

ouvíamos-te Nem uma abelha

nenhum zumbido Mas se desse

espaço sagrado nos afastássemos

um metro o sol abraçava-nos e a labareda

ardia Havia ali perto uma bilha

com sangria que um turista

enterrara na areia Toda a orla

da praia devastada pela luz

O Casimiro foi buscar água

e eram à sua volta rochas de sol

e diamantes figuras pagãs

de um esquecido culto

Teu olhar sem fundo

sábio e triste por vezes exaltado

inquiria o lume daquela areia

sem fim como se pudesse nela achar

no seu absoluto silêncio

a unidade perdida

de todos os seres vivos e mortos

do tempo em rotação.


RODRIGUES, Urbano Tavares, Poesia - Horas de vidro, Alfragide, Publicações D. Quixote, 2010,  pp. 59-60.

Teatro amador


No início da vida de uma Diva
 SOIR, Évora

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Sinto-me tão só

Quando passo na rua

Todos olham para mim

Menos tu

Que nem pensas em mim

Colocaste-me numa prateleira 

Sem saber porquê 

Mãe era mais uma desculpa?

Graças a ti me descobri...

Para quê?

Só para me entristecer 

Com as tuas promessas de prazer

És tão frontal 

Para mim não 

Escondes-te atrás da net

E eu sinto-me a perder o brilho

Ofusco me 

E quando te vejo

O meu coração aperta-se

És mesmo parvo

não reconheces o valor de ser só tua

Cada noite que passa

a oportunidade acaba

e eu parva sou

por me encantar pelo oposto de mim

e não conseguir esquecer-te

pois sei que é esse o teu objetivo

"quem não aparece esquece"

A expectativa dói

quando a oportunidade não se cumpre

no silêncio da noite


XPTO 


Andorinhas


 O símbolo da Primavera 

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Canção do amor prisioneiro


O galope selvagem do teu corpo

É agora a geleira da tristeza

Não. Não pode florir noutro jardim

essa ternura que ancorou em mim.


NATÁLIA CORREIA?

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Pardalada na praia

 


Praia do Vau, Portimão 

Formigas no salgueiro


 São Marcos da Abóboda, Évora 

Desesperara

Já  do amor, eu , triste, desesperara,

Quando, doce visão, tu consentiste

Em desvelar para mim a tua cara.


O' NEILL, Alexandre, Anos 70 - Poemas dispersos, 2.ª edição, Lisboa, Assírio & Alvim, 2009, p. 33.

Uma parte de mim parte

Praia da Rocha


Em cada estrela cadente

Que vai perder-se no rio

Uma parte de mim parte

No mistério de um navio.


Sou passageira da noite

um veleiro de luar.

O porto onde embarquei

É onde devo ir parar.


A onda que vem à praia

E volta de novo ao mar,

Abriu um lírio na areia

Que a brisa vem desfolhar!


Passam navios ao longe,

Num jeito de não parar!...


CORREIA, Natália, Antologia poética, Lisboa, D. Quixote, 2013, p. 34.

As ondas do mar que vão e vêm

Praia da Califórnia,  Sesimbra 

Como as ondas do mar que vão e vêm

pela atração da Lua.

outras ondas se alteiam, atraídas

por outras luas, satélites do rosto.

Enquanto umas de amor cobrem as praias

e as penetram de espuma,

estas não amam, não molham, não se esgotam.

Mudam de cor, apenas.

Vêm de dentro e sobem, num conflito

sem tréguas nem fraquezas,

deixando o rosto esfarelado e seco

como os desertos quando o vento sopra.

Correndo a mão pela barba, molemente,

como quem passa o tempo sem cuidados,

disfarça-se o rugir da onda brava

enquanto as luas,

pedras brutas sem vida nem remorso,

friamente percorrem suas órbitras

como se disso fosse conscientes.

(...)


GEDEÃO, António, Poemas - Uma antologia bilingue, Lisboa, Palavrão - Associação Cultural, 2015, p. 196.