terça-feira, 26 de outubro de 2021

Pavões vadios


                                                                             ÉVORA

domingo, 24 de outubro de 2021

Cavalos de Alter


 ALTER REAL

Gata assustadiça

Rua Bernardo Matos, Évora 

 

O curso de uma vida é como as ondas



"O curso de uma vida é como as ondas

que, num dia, sobem e descem com a maré,

e mudam de cor consoante o céu vai mudando.

Posso dizer, então, que as coisas também

mudam, para lá do que nós queremos,

e obedecem a uma vontade que nos ultrapassa:

a força do vento ou a calmaria que tudo abranda,

a disposição das nuvens, cobrindo ou deixando

ver o azul, o modo como a noite surge, quando

a não esperamos, ou a demora da tarde quando

o sol insistem em não cair. E também o instante

em que tudo depende de uma ou outra das palavras

que dizemos, da forma como as dizemos, ou

simplesmente da entoação da voz que se

confunde com esse murmúrio de ramos

nos arbustos, com a espuma que se dissipa no ar,

com um vago bater de asas no céu da memória.

E é como se o tempo não passasse mais, a hora

se transformasse em eternidade e o sol se

demorasse na praia do teu corpo." P


JÚDICE, Nuno, ENTOAÇÃO, Regresso a um cenário campestre, Lisboa, D. Quixote, 2020, p 93.

A vida é um valor sem variações

MENDONÇA, José Tolentino, O que é amar um país, Lisboa, Quetzal, 2020, p 24.

sábado, 23 de outubro de 2021

Caminhada pela vida

Évora 

 

Tejo em Abrantes




                                                         Onde está tudo como dantes

Muro alentejano


O longo muro alentejano e branco

O desejo de limpo e de lisura

Aqui na casa térrea a arquitectura

Tem a clareza nua de um projecto

  

ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Projecto I , O Nome das coisas, Assírio & Alvim, 1.ª edição, 2015, p. 58.

Desprezo segundo Fernando Pessoa


 MONTEIRO, Adolfo Casais, Poesia de Fernando Pessoa, Editorial Presença, Queluz de Baixo, 2006, p. 35.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Transporte de víveres


                                                         Praia dos Três Castelos, Portimão 

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Obrigatório ir sempre em frente para encontrar a felicidade


 

Os erros

A confusão a fraude os erros cometidos

A transparência perdida – o grito

Que não conseguiu atravessar o opaco

O limiar e o linear perdidos

 

Deverá tudo passar a ser passado

Como projecto falhado e abandonado

Como papel que se atira ao cesto

Como abismo fracasso não esperança

Ou poderemos enfrentar e superar

Recomeçar a partir da página em branco

Como escrita de poema obstinado?

 

ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, O Nome das coisas, Assírio & Alvim, 1.ª edição, 2015, p. 71

domingo, 17 de outubro de 2021

O Egoísta



um homem não nasce para ser casado, ou para ser português, ou para ser rico ou pobre, mostra-me também que ele não nasce para ser solidário, que ele não nasce senão para ser ele-próprio, e portanto o contrário de altruísta e solidário, e portanto exclusivamente egoísta.  

PESSOA, Fernando, O Banqueiro anarquista, Lisboa, Assírio  & Alvim, 1999, p. 33.

Fazendo-se ouvir (até qualquer dia)


Uma onda do mar
adora agitar
as águas, 
bater na rocha
para se fazer ouvir.
Serena,
tranquila 
obriga-te a aproximar
para a bem escutares!
Violenta
obriga-te a fugir...
O Adamastor 
conheceste
querias escutar mais a sua força
mas só sofreste
porque ele 
adora a solidão
da qual foges
para junto do mar...

Tentativa poética de Hortense Santos

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Envelheço


Envelheço como o sapato:
Quanto menos sirvo
Menos aleijo o chão

Antes,
eu buscava
conhecer um lugar.

Agora,
Apenas quero
Um lugar
Que me conheça.  

COUTO, Mia, O piso e o passo, Idades cidades divindades – Poesia, 3.ª edição, Alfragide, Caminho, 2016, p. 30.

Ganhando sabedoria ao envelhecer

Lembro-me bem de ter voltado a todos os locais que, anos antes, me tinham enfeitiçado. E dei comigo,com um quarto de século de intervalo, tão fascinada e maravilhada como no passado.

Com uma única diferença. A de ser hoje muito mais feliz do que nessa época. Porque, quando se é jovem, há uma sabedoria que ainda não possuímos, uma experiência que ainda não temos e uma sensibilidade que ainda não cultivámos.

CABRAL, Helena Sacadura, Caminhos do coração, Lisboa, Clube do Autor, 2011, p 141.

O que aconteceu em 1976


Nascimentos


Falecimentos

  • 12 de Janeiro - Agatha Christie, escritora inglesa (n. 1890)
  • 20 de Fevereiro - René Cassin, humanista francês premiado com o Nobel da Paz em 1968 (n. 1887)
  • 24 de Março - Bernard Law Montgomery, oficial do Exército Britânico, combateu na Segunda Guerra Mundial (n. 1887).
  • 14 de Abril - Mariano Ospina Pérez, Presidente da República da Colômbia de 1946 a 1950 (n. 1891).
  • 2 de Junho - Juan José Torres Gonzáles, presidente da Bolívia de 1970 a 1971 (n. 1920).
  • 7 de Julho - Gustav Heinemann, foi um político alemão e presidente da Alemanha de 1969 a 1974 (n. 1899)
  • 22 de Agosto - Juscelino Kubitschek, 21° Presidente do Brasil (n. 1902).
  • 9 de Setembro - Mao Tse-Tung, Secretário-Geral do Governo Central Popular da República Popular da China de 1949 a 1954 e presidente da República Popular da China até 1976 (n. 1893).
  • 13 de Setembro - Camilo Ponce Enríquez, presidente do Equador de 1956 a 1960 (n. 1912).
  • 6 de Dezembro - João Goulart, 24.º Presidente do Brasil (n. 1919).
  • 23 de Dezembro - Duarte Nuno de Bragança (n. 1907).
Fonte: Wikipédia

Vida - uma corrente de corpos

Nascemos, crescemos, fazemo-nos adultos e depois velhos. Não habitamos ao longo da vida um único corpo, e sim inúmeros, um diverso a cada instante. A essa corrente de corpos que uns aos outros se sucedem, e aos quais correspondem também diferentes pensamentos, diferentes maneiras de ser e de estar, poderíamos chamar universo – mas insistimos em chamar indivíduo.

AGUALUSA, José Eduardo, A Rainha Ginga e de como os africanos inventaram o mundo, Lisboa, Quetzal, 2018, p. 219

Calcorreando as calçadas


Ruas de Évora 

 

Não se envelhece para morrer

… não se envelhece para morrer. Envelhecemos para nos saciarmos de vida para desse modo sentirmos que, mesmo escassa ou vacilante, a vida é o milagre mais espantoso, mais indescritível e pródigo que nos tocou em sorte. 

MENDONÇA, José Tolentino, O que é amar um país, Lisboa, Quetzal, 2020, p 88.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Praia da Rocha


 
Portimão

ESPERA

 

Praia da Comporta


Dei-te a solidão do dia inteiro.

Na praia deserta, brincando com a areia,

No silêncio que apenas quebrava a maré cheia

A gritar o seu eterno insulto,

Longamente esperei que o teu vulto

Rompesse o nevoeiro. 

 

ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Obra do mar, Caminho, 5.ª edição, 2005,  p. 14.

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Conchinha

 


E quem faz conchinha a quem? Quem faz de concha e quem faz de pérola? Dizia-me uma amiga : “Sou pequena, encaixo-me bem e gosto de abraçar ou “apernar”...

VALE, Andreia, Da Boca para fora – Origem e histórias das palavras que usamos no dia-a-dia, Manuscrito, Lisboa, 2019, p. 22.