domingo, 1 de fevereiro de 2026

Golpe

Por medo da insónia adio o sono

Nas noites em que com um golpe frio

A memória levanta a onda morta

Do irrecuperável: o que adio?


Estou deitado num tempo muito extenso

entre a luz e o escuro, estou perdido

entre o imaginado e a verdade

de um mundo sem imagens: o que adio


não é o sono de que temo a falta

Nem o sonho feroz nele contido

É a história do corpo percutindo

Na fundura impiedosa do vazio.



CRUZ, Gastão, Existência, Porto, Assírio e Alvim, 2017, p. 17.

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