Por medo da insónia adio o sono
Nas noites em que com um golpe frio
A memória levanta a onda morta
Do irrecuperável: o que adio?
Estou deitado num tempo muito extenso
entre a luz e o escuro, estou perdido
entre o imaginado e a verdade
de um mundo sem imagens: o que adio
não é o sono de que temo a falta
Nem o sonho feroz nele contido
É a história do corpo percutindo
Na fundura impiedosa do vazio.
CRUZ, Gastão, Existência, Porto, Assírio e Alvim, 2017, p. 17.
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