quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Talvez

Talvez o teu sonho

Se tivesse separado do meu 

E pelo mar obscuro 

Me procurasse

como antes,

Quando ainda não existias,

Quando sem dar por ti

Naveguei por onde andavas,

E os teus olhos procuravam

O que agora

- pão, vinho, amor e cólera - 

Te dou às mãos cheias

Porque tu és a taça 

Que esperava os dons da minha vida.





NERUDA, Pablo, Poemas de amor, Lisboa, 2.a edição, Publicações D. Quixote, 2019, p. 25.

Sem comentários: