segunda-feira, 24 de junho de 2024

Chafariz das Bravas






Évora 

Minha solidão é festiva


Só se perdesse a vontade de agradecer me sentiria derrotado. Por isso, minha solidão é festiva. Não impede que também eu, um pouco, viva em junho.

MÃE, Valter Hugo, Contra mim, Porto, Porto Editora, p. 281.

Eu passo muito melhor desde que gosto de ti

Que mata o sonho do amor

Diz uma trova pra aí

Eu passo muito melhor

Desde que gosto de ti...


Augusto Gil - Obra Poética, 1.º vol., Lisboa, Círculo de Leitores, 1983, p. 78.

Teus olhos

Teus olhos imorais,

Mulher, que me dissecas,

Teus olhos dizem mais

Que muitas bibliotecas!


CESÁRIO VERDE in PEDREIRA, Maria do Rosário, DUARTE, Aldina, Esse fado vaidoso, Lisboa, Quetzal, 2022, p. 63.

terça-feira, 18 de junho de 2024

Burocracia

A forma mais dispendiosa da estupidez é,  possivelmente,  a burocracia. Custa o dobro, pois não só diminui, consideravelmente,  a produtividade da população, como lhe dificulta as condições de trabalho. 

TABORI, Paul, História natural da estupidez, Silveira, Book Builders, 2017, p. 31.

Não confundir!


Há que não confundir o olho do cu
Com a feira de Castro. Alguém que viu
A mãe nua, banhar-se, pode reclamar 
Ser neurótico,  histérico, mesmo
Vítima da iniquidade dos deuses,
Ou da possessão de demónios; contudo, a poesia
Não é uma forma de adiar o suicídio.

Há que temer partilhar as emoções 
Do vulgo e continuar a jantar nas alfaias
Em uso. Não há palavras que caiam
Em desuso, apenas frases que não conseguem 
Acomodá-las, como pintor que erra um nariz
Por não o poupar à sombra dos olhos.

(...)

Que as galinhas tenham três patas,
Alguém recusará ouvir tais histórias,
Ser iludido pelo encanto das fábulas? Quem
Duvida que é o vento, que à chegada
Do Outono, ensina cor às folhas das árvores?


OLIVEIRA, José Carlos, Meditação Décima Nona in De passagem, Porto, Assírio e Alvim, 2018, pp.55-56.




sábado, 15 de junho de 2024

Praia de Albarquel


 Setúbal 

Primitivismo

Na esfera histórica e cultural do Ocidente, o primitivismo manifestou-se logo nos anos que se seguiram à descoberta das Américas, pois houve uma marcada tendência de viajantes e missionários para encararem esse Novo Mundo como algo próximo do ideal da Natureza, uma espécie de Jardim do Éden, onde os nativos pareciam gozar a inocência e a felicidade de um tempo anterior à Queda. É verdade que também houve quem discordasse deles e visse os índios como idólatras que cometiam pecados contra a natureza, e a América como um universo negativo, uma terra de canibalismo e de brutalidade.  Mas a ideia primitivista resistiu, atravessou os tempos, passou pelo Bom Selvagem de Rousseau, adquiriu fortíssimas reverbações românticas e tornou-se muito popular entre as pessoas politicamente correctas. Essas pessoas têm tendência para negar várias evidências porque se banham numa cultura que tem sido adubada e regada por séculos de ilusões primitivistas. 

No que respeita à história da escravatura, a principal evidência que se recusam a ver é a de que os não-ocidentais, africanos ou asiáticos foram, em muitos momentos,  gananciosos e cruéis. Na sua visão, ganância e crueldade, seriam um exclusivo dos brancos. Infelizmente, não foi nem é assim, e encontramo-las em profusão em todos os continentes,  ontem como hoje. (...)

A escravatura existiu em muitas partes do mundo e conheceu várias modalidades, que variaram consoante a época,  o local e os intervenientes. Independentemente das diferenças entre elas, todas tinham traços em comum, o principal dos quais era a vulnerabilidade. Era em primeiro lugar por isso que a escravatura era horrível. E era-o tanto na América como em África ou noutra parte do mundo. O escravo era, em qualquer tempo e local, um morto social e alguém que dependia única e exclusivamente daboapu má vontade do seu senhor ou senhora. Ou seja, era absolutamente vulnerável, como um órfão ou um desvalido. Nem sequer a sua voz e as suas palavras eram suas, como dizia acertadamente um ditado africano.

MARQUES, João Pedro, Combates pela verdade - Portugal e os escravos, Lisboa, Guerra e Paz, 2020, p. 112-113.

Arte no museu






Museu de Ponta Delgada 

Praia de Caxias








 

Marcha de Machede


 Évora na véspera de Santo António 

Viver em Junho

Só se perdesse a vontade de agradecer me sentiria derrotado. Por isso, minha solidão é festiva. Não impede que também eu, um pouco, viva em junho.

MÃE, Valter Hugo, Contra mim, Porto, Porto Editora, 2020 p. 281.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

quinta-feira, 13 de junho de 2024

We are our dreams of ourselves souls...

 Fernando Pessoa, Obra poética, Lisboa, Círculo de Leitores, 1986.

Marchas


 Meo Arena 2024

Ao procurar-te, Amor

Por toda a liberdade autêntica sumida

na noite de uns tempos que jamais houve, e errado é lamentá-los,

por toda a liberdade, a que do horizonte avança,

como um soluço inadiável exigindo lágrimas

e uma divisão tão vasta que me apagarei,

é preciso que eu me perca entre muitos outros,

que ninguém me conheça, que ninguém me veja,

ao procurar-te, Amor, cansadamente,

à luz terrível de saber que me esqueço

do teu rosto, do teu nome, do teu corpo eterno.


SENA, Jorge de,  A derradeira visitaCoroa da Terra, Assírio e Alvim, 2021, p. 56.

Sonho de núpcias

 Eu punha no teu lábio a nota quente,

A música vibrante dos desejos,

Poisava-te no colo branco, ardente,

O poema rendilhado dos meus beijos.


Ao íntimo contacto desses beijos,

Erguia-se em volutas de serpente

A curva delicada, alvinitente,

Das tuas formas, trémulas de pejos.


Senti então, alucinado e mudo,

O elo dos teus braços de veludo

Cingir-me contra a carne feiticeira.


E sobre o véus de gaze delicado,

Murchavam na capela doo noivado

Os albentes botões da laranjeira...


Augusto Gil - Obra Poética, 1.º vol., Lisboa, Círculo de Leitores, 1983, p. 16.

Ah quanta melancolia

Ah quanta melancolia!

Quanta, quanta solidão!

Aquela alma que vazia,

Que sinto inútil e fria

Dentro do meu coração!


FERNANDO PESSOA in PEDREIRA, Maria do Rosário, DUARTE, Aldina, Esse fado vaidoso, Lisboa, Quetzal, 2022, p. 76.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

... de nada serve

 

Portimão 

Faróis distantes...
A vida de nada serve...
Pensar na vida de nada serve...
Pensar de pensar na vida de nada serve...

Álvaro de Campos
Pessoa, Fernando, Tenho medo de partir - um livro de viagens, Lisboa, Guerra e Paz, 2018, p.97.

Toupeira


 Parque da Pena

Torre de Coelheiros





 

Gaivota nocturna









 Fujo ou não fujo?????

Torre de Belém e pôr do sol





 

FNAC ALIVE 2024











 Jardim de Belém, 1 de Junho