sexta-feira, 26 de abril de 2024

A pedra

 Amo o espaço e o lugar, e as coisas que não falam.

O estar ali, o ser de certo modo,

o saber-se como é, onde é que está, e como,

o aguardar sem pressa, e atender-nos

da forma necessária.

 (...)



Põe-se a pedra na mão, e a pedra pesa,

pesa connosco, forma um corpo inteiro.

Fecha-se a mão, e a mão toma-lhe forma,

conhece a pedra, entende-lhe o feitio,

sente-a macia ou áspera, e sabe em que lugares.

Abre-se a mão, e a mesma pedra avulta.



GEDEÃO, António, Poemas - Uma antologia bilingue, Lisboa, Palavrão - Associação Cultural, 2015, p.134

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