sexta-feira, 19 de novembro de 2021
quinta-feira, 18 de novembro de 2021
quarta-feira, 17 de novembro de 2021
Poesia de Cesariny
Adozites
Com tempo seco que maravilha
Podestepôr em cima da ausenda
Que descobre a virilha
Mesmo que não esteja à venda
Vem a meu peito
Que eu vou gritar
Serás eleito
No ultramar e ar
Carapaus fri tus tus tus calotes
Soma um minuto e pronto bofetadas
Uma ideia vestida de escadotes
Sobre o cavalo a trote e a galopes
São horas de dormir bem mastigadas
Para além dos teus olhos
Cinco dedos alvos
E presos aos molhos
Objectos calvos
Um neo-realista diz que sim
Mas tuas lantejoulas dizem não
Alacremenete como um sonoro trrim
No fundo do púcaro de alcatrão
Bem dizes ai
Com pulmõezites
Ó chirivai
Tocando apites
Ai caravelas pelo mar fundo
Tragam uivos de areia aos pirilampos
Cabazes de olhos de moribundo
E sumos de uva nos relampos
Ventoinhas que tendes vós?
Soluçozinhos de terciopelo
Já o mesmo dizia a minha avós
Hás-de-me cortar o cabelo
E se tudo isto não te puder ver
Faz um buraco e conta-lhe o resto
Se for muitíssimo indigesto
Verificarás que está a chover
De mim para ti
De ti para mim
Ófeguiderzin
CESARINY, Mário, Primavera autónoma das estradas, Assírio & Alvim, 2.a edição, 2017, pp. 41-42
terça-feira, 16 de novembro de 2021
Cidade em que ilha transformou
Às cristalizações da inclemência da invernia pertence a cidade que em ilha transformou, e observam-no os locais com o diverso timbre das emoções que deles se apoderam. É tão alva a povoação como nunca foi, sepultada nas neves que resolveram as charadas dos muros de cal, tão silenciosa que as lágrimas dos cansados se transformam em gelo antes de subir ao olhar. Não há horta ou jardim que se não converta em poalha muda, enrouqueceram os sinos na impossibilidade de suster o peso do seu dobre, pelos veios da rocha esgueira-se a alma da água que não cessa de cantar. (…) Avançam pelos becos como fantasmas avantajados, escondendo-se por detrás dos abafos, recuperando o fôlego para prosseguira na murmuração dos rosários, cuspindo a praga que afugenta o cão que se lhes apegou aos calcanhares. Estamos em Évora, e volve-se a cidade espelho de um soberano opulento, e a ela afluem embaixadores dos potentados todos da Terra, e corre o ano esquecido dos calendários da rota da humanidade geral.
CLÁUDIO, Mário, Peregrinação de Barnabé das Índias, Alfragide, 3.a edição, D. Quixote, 2017, P14.
Vem!
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| Praia da Rocha |
Passa a ave no céu bebendo azul e diz: - Vem!
O vento envolve-me numa carícia,
envolve-me e murmura: - Vem!
As ondas estalam nas praias e vão mar fora,
as mãos de espuma a prender-me os sentidos
chamam no fundo dos meus olhos: - Vem!
FONSECA, Manuel, Obra poética, Alfragide, Caminho 11.ª ed., 2011, p. 59.
És não
Aperto no coração,
Resultado da ilusão
Sem muralha de proteção...
No meu seio revolução,
Posterior decepção.
Regresso à solidão
E estilo chão.
Havia diferenças na oração
Mas o tocar na tua mão
Aqueceu o meu coração!
Sofro uma resposta - não,
Zero significação...
Não foste a minha coroação,
Só foste rei na minha imaginação,
Uma triste desolação
De verão.
Quando te irás tornar em escuridão?
Depois desta explosão?
Nunca haverá um senão,
Só uma queimadura no coração
Porque eu sou a oposição
Da tua aceleração.
Ninguém sofreu uma transformação
Nem foi alvo de inspiração
Continuamos a via da ramificação
Porque tu és NÃO...
" XPTO"
segunda-feira, 15 de novembro de 2021
As palavras ferem / o amor/ como tudo o mais
MENDONÇA. José Tolentino, Papoila e o monge, Assírio e Alvim, 2019, p 43
domingo, 14 de novembro de 2021
sábado, 13 de novembro de 2021
sexta-feira, 12 de novembro de 2021
quinta-feira, 11 de novembro de 2021
As flores
Pra minha perfeição está suspenso
Em cada flor da terra um tédio imenso.
Todo o milagre, toda a maravilha
Torna mais funda a minha solidão.
E todo o esplendor para mim é vão,
Pois não sou perfeição nem maravilha.
As flores, as manhãs, o vento, o mar
Não podem embalar a minha vida.
Imperfeita não posso comungar
Na perfeição aos deuses oferecida.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Obra do mar, Caminho, 5.ª edição, 2005, p. 81.
As ondas
E brancas tombas de bruços.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, No tempo dividido, Assírio & Alvim, 5.ª edição, 2019, p. 43
quarta-feira, 10 de novembro de 2021
terça-feira, 9 de novembro de 2021
Aqui
Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu – eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos,
Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não por aquilo que só atravessei,
Não p’lo meu rumor que só perdi,
Não p’los incertos actos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Obra do mar, Caminho, 5.ª edição, 2005, p. 68











































