sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Arte portuguesa tem de tudo!

Temos de tudo, como na botica. Ainda nada, porém, que possa equiparar-se ao esplendor extraordinário e universal que foi o Souza-Cardoso e os mais da sua geração. Chego a olhar Almada Negreiros como se olha, estremunhadamente, um fabuloso bicho de outras eras, chegado, por cataclismo cósmico, a um planeta que o ignora. Mais cedo ou mais tarde terão os nossos "jovens" de constatar que o espírito de técnica a que se apegam todos, abstractos, "surrealistas", neo-realistas, etc. é a mezinha que leva ao academismo de que estamos cheios.

CESARINY, Mário, As Mãos na água, a cabeça no mar, Assírio & Alvim - Porto Editora, 3.ª edição, Porto, 2015, p. 24.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O tempo corre


O tempo corre. Graças a ele, em primeiro lugar, somos seres vivos, o que quer dizer: acusados e julgados. Depois, morremos, e permanecemos ainda alguns anos com aqueles que nos conheceram, mas depressa se produz uma outra mudança: os mortos tornam-se velhos mortos, ninguém mais se lembra deles e desaparecem no nada; só alguns, muito muito raros, deixam os seus nomes nas memórias mas, privados de qualquer testemunha autêntica, de qualquer lembrança real, transformam-se em marionetas... 

KUNDERA, Milan, A Festa da Insignificância, Alfragide, D. Quixote, 2014,p. 36.


Oceanário de Lisboa




















A beleza natural ao pé de nós, na cidade

domingo, 31 de dezembro de 2017

Solidão

... sem ti esta cidade me aparece morta, e eu me sinto intoleravelmente só. Como escreveu o velho Balzac (foi Balzac?): A solidão é óptima, desde que haja alguém com quem possamos conversar sobre isso.

AGUALUSA, José Eduardo, Nação crioula, 6.ª edição, Alfragide, D. Quixote, 2008, p.124.

Ao morrer temos medo do desconhecido

Tal como no momento de vir ao mundo, ao morrer temos medo do desconhecido. Mas o medo é algo interior que não tem nada a ver com a realidade. Morrer é como nascer: uma mudança apenas.

ALLENDE, Isabel, A Casa dos Espíritos, Porto, Porto Editora, 2.a edição, 2013, p. 274.

Viver para viver



“Viver para viver” será apenas isso mesmo? Esse aceitar, igualmente sem interesse nem revolta, uma vida privada, vazia de sentido, no meio de um mundo de violência, cujo sentido escapa àquele repórter?


FONSECA, Manuel da, Reportagem, O vagabundo na cidade, Editorial Caminho, 2001, p.74.

Há muitas formas de estar morto

Há muitas formas de estar morto.
Perder o cheiro, perder o nome, perder a própria vida, mesmo que ainda ocupando um corpo ou uma sombra. Perder o cheiro, perder o nome, perder a própria vida, mesmo que ainda suportando o tempo e o peso do olhar.

 PEIXOTO, José Luís, Galveias, Lisboa, Quetzal, 2014, p. 277.

Morte


Se a morte por mim viesse
Morria com muito gosto
Nasce o Sol, torna a nascer:
Pra mim é sempre sol-posto!...

FONSECA, Manuel da, Aldeia Nova, Lisboa, Caminho, 11.ª edição, 2001, p. 151.


Desenganos

Desenganemo-nos da esperança, porque trai, do amor, porque cansa, da vida, porque farta e não sacia, e até da morte, porque traz mais do que se quer e menos do que se espera.

PESSOA, Fernando, Palavras do Livro do Desassossego, Vila Nova de Famalicão, Edição Libório Manuel Silva, 2013, p. 110.

Cemitério de Estômbar


 

 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Desaparecer

Um homem morre, desaparece, e logo a sua obra inteira se corrói e se corrompe e se desfaz. Os palácios de  hoje amanhã serão ruínas (...) A própria memória rapidamente se dissolve.

AGUALUSA, José Eduardo, Nação crioula, 6.ª edição, Alfragide, D. Quixote, 2008, p.158.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Tchau...

 Fizemos tchau, cada um ia na direcção da sua casa, era mesmo aquilo que eu estava a dizer, às vezes numa pequena coisa pode-se encontrar todas as coisas grandes da vida, não é preciso explicar muito, basta olhar.
O fim dos anos lectivos era sempre uma coisa muito chata para mim porque ficava com saudades dos meus colegas, das nossas brincadeiras, até dos camaradas professores (...)

ONDJAKI, Bom dia camaradas, Lisboa, Editorial Caminho, 2003, p. 92.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Torre da Porta do Anjo ou Bispo

Torre medieval situada na extremidade ocidental do castelo de Montemor-o-Novo. Entre a Torre do Anjo e a outra torre que lhe é paralela situa-se esta porta, cuja torre protegia-a mais a cisterna adjacente.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

As cidades

As cidades não são apenas espaços de prédios e vidas e monumentos e pessoas desconhecidas. São, acima de tudo, parte do nosso ser, da nossa vida, dos nossos sentimentos, das nossas memórias; camadas e camadas de vivências humanas que se vão sobrepondo, umas sobre as outras.

AMARAL, Domingos, Quando Lisboa tremeu, Alfragide, Casa das Letras, 2010, p. 371.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Festa Barroca












 

 














Uma das exposições temporárias que gostei de visitar este ano no Palácio Nacional da Ajuda.



sábado, 9 de dezembro de 2017

Tudo é pequeno neste nosso Portugal de hoje!

Tudo é pequeno neste nosso Portugal de hoje! O mar já não é "curral das nossas naus" mas sim pastagem de couraçados estranhos; foram-se-nos mais de três partes do Império de além-mar e Deus sabe que dolorosas surpresas nos reserva o futuro. Não tiveram portanto, as guerras em que agora temos andado o brilho épico dos feitos dos nossos maiores. Mas no campo restrito em que operámos, como os poucos recursos de que dispúnhamos, não fizemos menos nem pior do que outros bem mais ricos e poderosos.

NUNES, António Pires, Mouzinho de Albuquerque, Lisboa, Prefácio, 2003, p. 79.

Como é bela a minha praia



Praia do Alemão - Portimão