segunda-feira, 30 de março de 2020

transformando a palavra no silêncio


Ando pela casa em silêncio, porque as palavras, com a tristeza, ficam sozinhas, a deambular pela nossa cabeça, perdidas, sem saber por onde ir, as palavras emagrecem, definham, já não sabem o que significam, a palavra exultar pode transformar-se na palavra unhas, a palavra vida pode transformar-se na palavra rato, a palavra riqueza pode transformar-se na palavra sobras, a palavra felicidade pode transformar-se na palavra costume. 

CRUZ, Afonso, Enciclopédia da Estória Universal – Mar, Lisboa, Alfragide, 2014, p 22.

domingo, 22 de março de 2020

sábado, 21 de março de 2020

Flores do campo






Pelos campos de Évora

Teu rosto

Hortense
teu rosto muito mais luz do que sombra
embora aparentemente metade luz e metade sombra
teus dentres intensa fila de luz
a negligente mecha de cabelo caído na testa
a dizer muito mais para além de dizer que esse dia houve vento
teu olhar escuro mas luminoso
tudo isso e muito mais do que isso eu recordo ao olhar às vezes as rosas

BELO, Ruy, Na Margem da alegria - poemas escolhidos por Manuel Gusmão,  Assírio e Alvim, 2011, p. 171.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Despedida do Inverno?



E espero que
a chuva acabe, que o Inverno termine
o seu curso implacável, que o silêncio
rompa o contínuo gotejar da água
nos beirais...

JÚDICE, Nuno, Indecisão, Navegação de acaso, Lisboa, D. Quixote, 2013, p. 86.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Quase todos os dias falo com o meu pai

Quase todos os dias falo com o meu pai
sobre coisas banais e passageiras.
Ele morreu há tantos anos
que o seu corpo estendido não há de ser mais
do que a sombra de uma sombra, um escombro
à espera que eu lhe diga
como sinto a sua falta.
LETRIA, José Jorge, Um livro só para não morrer, O livro branco da melancolia, Lisboa, 2.ª edição, Quetzal Editores, 2001, p9

quinta-feira, 12 de março de 2020

Leitões pretos

Leitão é o nome comum para o porco jovem. Sua criação e consumo existe por todo o mundo, destacando países como Portugal (especialmente na região da Bairrada). É claro que o preto é original do Alentejo, é por isso, que encontrei tantos na Ovibeja. O nome leitão refere-se ao seu período de lactância. 

Fonte: Wikipédia

terça-feira, 3 de março de 2020

Azeitona

A azeitona ou oliva é o fruto da oliveira (Olea europaea). É de grande importância agrícola na região mediterrânea como fonte de azeite.

A sua coloração varia do verde aos tons acinzentados, dourados, castanho-claros, roxos ou pretos. Quanto mais escuro, mais tempo o fruto maturou no pé.
 
O azeite é um produto alimentar produzido a partir da azeitona - Um alimento antigo, clássico da culinária contemporânea, regular na dieta mediterrânea, sendo muito benéfico para a saúde e adiciona aos pratos um sabor e aroma peculiares. 

A região oleícola mediterrânea é responsável por 95% da produção mundial de azeite favorecida pelas suas condições climáticas propícias ao cultivo das oliveiras.E o azeite do Alentejo é o melhor de todos ;)

Fonte: Wikipédia

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Como é que decidimos?

A vida tem alguns momentos estranhos, raros, em que nos vemos obrigados a decidir entre uma dor contínua e dificilmente suportável e outra imensa, mas breve. A escolha parece ser anterior a qualquer um de nós, pois é feita apesar de nós. Decidimos com o estômago, com o sangue, com as unhas, mas nunca com a cabeça.
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CRUZ, Afonso, Síndrome de diógenes, Uma dor tão desigual, Alfragide, Teorema, 2016, p 131.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Não fazer nada


Não fazer nada é uma questão de dedicação, não do número de pessoas. Valoriza-se a intensidade mais do que a quantidade.

ONDJAKI, Sonhos azuis pelas esquinas, Editorial Caminho, Alfragide, 2.ª edição, 2014, p.63.

Lonjuras indefinidas


Os Alentejanos, ainda assim, na sua maioria, não admiram muito o mar. Adoram as lonjuras indefinidas, é certo, mas enjoam as superfícies sem fundo. Olham o mar de esguelha, como quem desconfia que dali é que veio o drama da espécie humana.  

SILVA, Antunes da, Alentejo é sangue, Porto, 3.a edição, Livros Horizonte, 1984, p.254.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Velhice


A velhice é uma insónia:
Deitamo-nos
E quem dorme é a cama. 

COUTO, Mia, O tempo e seus suspiros, Idades cidades divindades – Poesia, 3.ª edição, Alfragide, Caminho, 2016, p. 24.