quarta-feira, 8 de julho de 2020

Manuel de Arriaga

Manuel José de Arriaga Brum da Silveira nasceu em 8 de Julho de 1840, na cidade da Horta, filho de Sebastião de Arriaga e de D. Maria Antónia Pardal Ramos Caldeira de Arriaga, ambos descendentes de famílias nobres açorianas. Casou com D. Lucrécia de Brito Berredo Furtado de Melo, neta do comandante da polícia do Porto e partidário das forças liberais à data da revolução de 1820, de quem teve seis filhos, dois rapazes e quatro raparigas. Faleceu em 5 de Março de 1917, com 77 anos de idade.

Na Universidade de Coimbra, onde se formou em Leis, cedo manifestou simpatia pelas ideias republicanas, o que provocou um conflito insanável com o pai, que o deserdou e lhe deixou de custear os estudos. Para sobreviver e pagar a Faculdade, teve então de dar aulas de Inglês no liceu.

Túmulo no Panteão Nacional
Em 1866, concorreu a leitor da décima cadeira da Escola Politécnica e da cadeira de História do Curso Superior de Letras. Não conseguindo a nomeação para qualquer delas, teve de continuar, agora em Lisboa, a leccionar a mesma disciplina de Inglês. Dez anos depois, em 26 de Agosto de 1876, já faz parte da Comissão para a Reforma da Instrução Secundária. Simultaneamente, vai cimentando a sua posição como advogado, tornando-se um notável casuísta graças à sua honestidade e saber. Entre as várias causas defendidas destaca-se, em 1890, a defesa de António José de Almeida, após este ter escrito no jornal académico O Ultimatum, o artigo "Bragança, o último", contra o rei D. Carlos.
Na sequência dos acontecimentos de 5 de Outubro de 1910, e para serenar os ânimos agitados dos estudantes da Universidade de Coimbra, é nomeado reitor daquela Universidade, tomando posse em 17 de Outubro de 1910.


Filiado no Partido Republicano, foi eleito por quatro vezes deputado pelo círculo da Madeira. Em 1890, foi preso em consequência das manifestações patrióticas de 11 de Fevereiro, relativas ao Ultimato Inglês.Em 1891, aquando da revolta de 31 de Janeiro, já fazia parte do directório daquele Partido, em conjunto com Jacinto Nunes, Azevedo e Silva, Bernardino Pinheiro, Teófilo Braga e Francisco Homem Cristo.
Nos últimos anos da monarquia, sofre um certo apagamento, dado que o movimento republicano tinha chegado, entretanto, à conclusão que a substituição do regime monárquico não seria levada a cabo por uma forma pacífica. Os republicanos doutrinários são, então, substituídos pelos homens de acção que irão fazer a ligação à Maçonaria e à Carbonária.
Depois da proclamação do regime republicano foi então chamado a desempenhar as funções de Procurador da República. Foi eleito em 24 de Agosto de 1911, proposto por António José de Almeida, chefe da tendência evolucionista, contra o candidato mais directo, Bernardino Machado, proposto pela tendência que no futuro irá dar origem ao Partido Democrático de Afonso Costa. 

O encerramento do Parlamento e a amnistia de Paiva Couceiro vão transformar em certezas as desconfianças que os sectores republicanos tinham acerca daquele militar, desde o governo de João Chagas onde ocupara a pasta da Guerra e evidenciara uma atitude permissiva face às tentativas monárquicas de Couceiro. A revolta não se fez esperar. Em 13 de Maio do mesmo ano, sectores da Armada chefiados por Leote do Rego e José de Freitas Ribeiro demitem o Governo que é substituído pelo do Dr. José de Castro, que inicia as suas funções em 17 do mesmo mês. O Presidente é obrigado a resignar em 26 de Maio de 1915, saindo do Palácio de Belém escoltado por forças da Guarda Republicana.

Manuel de Arriaga não conseguiu recuperar deste desaire, morrendo amargurado dois anos depois, em 5 de Março de 1917. Foi substituído pelo Dr. Teófilo Braga.

Distinguiu-se principalmente como advogado e orador. Alguns dos discursos políticos ficaram célebres, nomeadamente "O Partido Republicano e o Congresso", pronunciado no Clube Henriques Nogueira em 11 de Dezembro de 1887, "A Questão da Lunda", na Câmara dos Deputados em 1891, "Descaracterização da Nacionalidade Portuguesa no regime monárquico", em 1892, na mesma Câmara, "Começo de liquidação final", "A irresponsabilidade do poder executivo no regime monárquico liberal", e tantos outros. Contos Sagrados, Irradiações e Harmonia Social, constituem exemplos da sua obra como filósofo e poeta, tendo escrito uma obra sobre a sua experiência política.

Fonte: http://www.presidencia.pt/?idc=13&idi=38

Fim do dia em Évora

Praça do Geraldo

sábado, 4 de julho de 2020

Pôr do sol

No interior de um avião o crepúsculo é mais especial

Determinamos uma sombra


Eu sou senhor aquele que sente
frios ainda os pés nas estações
com que nos chega o tempo sucessivamente
Nada me fica na alma nem a tarde de praia
quando o vento tinha
uma linguagem nas barracas
Não há coração em mim para a folha que morre
e ando a matar uma por uma até
alegrias simples como a certas horas
reparar que temos um corpo
determinamos uma sombra
e ocupamos um espaço que nos leva
a estar aqui agora nesta rua
e não noutra parte

BELO, Ruy, Na Margem da alegria - poemas escolhidos por Manuel Gusmão,  Assírio e Alvim, 2011, p. 16.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Mosteiro de Alcobaça

O conjunto monumental do Mosteiro de Alcobaça constitui um dos mais notáveis e bem conservados exemplos da arquitectura e filosofia espacial Cisterciense.
Alcobaça foi a última fundação em vida de São Bernardo e o primeiro monumento integralmente gótico do país. A Abadia foi fundada em 1153, por doação de D. Afonso Henriques a São Bernardo de Claraval.  

As obras de construção do actual edifício só se iniciaram por volta de 1178,  arrastando-se por várias décadas, em consonância com as dimensões absolutamente excepcionais do monumento.
Em 1223, os religiosos ocuparam as instalações já construídas, seguindo um programa bipartido entre a oração e o trabalho manual - "Ora et Labora". 

O local escolhido, com elevado potencial agrícola, correspondia à política cisterciense de desenvolvimento agrário. Construiu-se uma levada (desvio da água proveniente do Rio Alcoa) e procedeu-se à captação de água potável:  sistema hidráulico que impressiona pelas soluções técnicas adoptadas. Todo o território envolvente foi polvilhado de granjas, vinhas, pomares e pântanos reconvertidos em terrenos aráveis pela prática do arroteamento.

A igreja, com 100 metros de comprimento, representa o maior espaço religioso gótico existente no país.
A sua planta, em forma de cruz latina, contempla um Deambulatório que integra nove capelas radiantes.
A verticalidade acentuada (mais de vinte metros de altura) confere-lhe uma beleza ímpar.

Com D. Manuel, o Mosteiro é alvo de um novo ímpeto: o monarca manda construir a Sacristia Nova, o primeiro piso do Claustro de D. Dinis (Sobreclaustro), um novo cadeiral para a Igreja e uma Livraria cuja localização não se conhece. Deste vasto programa de intervenções, apenas resta o Atrium da Sacristia e o Sobreclaustro.
A cozinha, totalmente revestida de azulejos, data de 1752. Destacamos a sua imponente chaminé que assenta em oito colunas de ferro forjado bem como o tanque com água corrente proveniente da "Levada", testemunho da genialidade dos monges de Cister no que concerne à engenharia hidráulica.

A monumentalidade, beleza e despojamento desta abadia, lograram, por parte da Unesco, a classificação de Património da Humanidade em 1989.

Fonte: http://www.mosteiroalcobaca.gov.pt/pt/index.php?s=white&pid=197&identificador=at132_pt.doc

terça-feira, 30 de junho de 2020

Um dia



Um dia seremos muito velhos, seremos rugas, e, ao rio de quando éramos novos, saberemos que vamos morrer. No entanto, isso dar-nos-á uma sensação de eternidade, algo que nunca experimentámos antes, dar-nos-á dias a mais, porque saberemos que temos dias a menos. Continuaremos a ser uma melodia, mesmo depois de tudo se calar.
CRUZ, Afonso, Cartas de Gould, Enciclopédia da Estória Universal – Mar, Lisboa, Alfragide, 2014, p 14.

Flores de papel

Redondo, 2019

Patos no Mondego









Coimbra

Castelo de Montemor-o-Velho


Montemor foi, historicamente, terra de infantados, primeiro de D. Teresa (filha de D. Sancho I, a partir de 1211), depois de D. Afonso IV (1322) e também de D. Pedro, Duque de Coimbra (1416).

Após a morte de D. Sancho I, o alcaide de Montemor recusou-se a prestar vassalagem a D. Afonso II (1211-1223), devido a desacordo testamentário entre este monarca e suas irmãs - D. Teresa e D. Mafalda - relativos à doação a estas do castelo e seus domínios. Cercado pelas forças do soberano, tendo a infanta D. Teresa aqui se refugiado, o sítio acabou sendo levantado e a questão sanada graças à intervenção do Papa Inocêncio III, já em 1216, que sentenciou que tanto este quanto o Castelo de Alenquer fossem entregues à Ordem dos Templários. Neste período, um novo foral é mencionado, em 1212, passado pelo soberano. 
 
O castelo voltou a ser ponto de discórdia nos conflitos que opuseram D. Sancho II (1223-1248) e D. Afonso III (1248-1279) quando, em 1245, diante da deposição do primeiro, o bispo D. Tibúrcio e alguns cônegos da Sé de Coimbra, sentindo-se inseguros naquela cidade, procuraram refúgio na alcáçova do Castelo de Montemor-o-Velho, cujo alcaide se proclamara em favor de D. Sancho II. 

Mais tarde, no contexto da rebelião do infante D. Afonso, futuro D. Afonso IV, contra seu pai, o rei D. Dinis (1279-1325), o castelo - desguarnecido - foi conquistado sem combate pelas forças do príncipe (1 de Janeiro de 1322). Neste período, no século XIV, foi objeto de uma ampla reforma, acreditando-se datar desta fase a construção da barbacã e do troço da cerca a Norte. Foi aqui, na sua alcáçova, a 6 de Janeiro de 1355 que D. Afonso IV se reuniu com os seus conselheiros para decidir a sorte de D. Inês de Castro, daqui tendo partido, no dia seguinte, para a executar. 


 



A importância militar e estratégica deste castelo manteve-se ao longo dos séculos seguintes, afirmando-se que as suas grandes dimensões permitiam aquartelar até cinco mil homens de armas em seu interior. É fato que o seu comando foi sempre exercido por figuras de destaque da nobreza de Portugal. Em 1472, D. Afonso V 1438-1481) faz marquês de Montemor-o-Velho, a D. João de Portugal, mais tarde duque de Bragança. 

No contexto da crise de sucessão de 1580, acredita-se que o castelo tenha recebido a visita de D. António, Prior do Crato, quando visitou a vila por cinco dias, em Setembro de 1580, ocasião em que tentava articular a defesa, na linha do Mondego, da independência de Portugal.

No início do século XIX, no contexto da Guerra Peninsular, as suas dependências foram ocupadas pelas tropas francesas de Napoleão, sob o comando de Jean-Andoche Junot, entre 1807 e 1808. Três anos mais tarde, no caminho da retirada das tropas derrotadas de André Massena, foi saqueado, juntamente com a vila. 

Com a extinção das Ordens Religiosas em Portugal (1834), o seu pátio de armas passou a ser utilizado como cemitério da vila. Nesta fase registrou-se o reaproveitamento de suas pedras pela população local. Em 1877 uma das suas torres foi adaptada como Torre do Relógio

O Castelo de Montemor-o-Velho e a Igreja de Santa Maria da Alcáçova encontram-se classificados como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910. Em 1929, por iniciativa de um particular, António Rodrigues Campos, empreendeu-se uma campanha de defesa que chegou a promover alguns restauros no monumento. 

Em bom estado de conservação, o monumento encontra-se atualmente aberto ao público.

Fonte: Wikipédia

terça-feira, 23 de junho de 2020

Praia da Vitória


Praia da Vitória é uma cidade e Concelho localizada na parte leste da ilha Terceira, no grupo central do arquipélago dos Açores.

Na Região Autónoma dos Açores, esta singela cidade conta com cerca de 6 600 habitantes. É sede de um município com 162,29 km² de área e 21 035 habitantes (2011), subdividido em 11 freguesias. O município, um dos dois da ilha, é limitado a sul e oeste pelo município de Angra do Heroísmo e pelo oceano Atlântico a norte e a leste. 

Fonte: Wikipédia.

sábado, 20 de junho de 2020

Igreja de São Francisco



                                                                    ÉVORA

Como eu gostava de ser um rochedo

                                                                Cabo Espichel - Sesimbra

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Capela de São Miguel

A Capela de São Miguel é a capela da Universidade de Coimbra. Foi construída entre os séculos XVI e XVIII e pertence ao conjunto arquitetónico do Paço das Escolas, núcleo histórico da Universidade de Coimbra, estando por isso classificada como Monumento Nacional e inscrita na listagem de Património Mundial da UNESCO. Ainda se realizam missas neste espaço religioso, ao domingo.

Fonte: Wikipédia


ANOITECER

                                                                                Évora

quinta-feira, 18 de junho de 2020

quinta-feira, 11 de junho de 2020

O que nos força o trabalhar?


Trabalhar muito impede-nos de pensar no que aconteceu ou irá acontecer. Força-nos a viver no presente

Dave Hughes in PELLEGRINO, Nicky, Os ingredientes do amor, Alfragide, Edições Asa, 2010.



quarta-feira, 10 de junho de 2020

O nosso povo

... é mais forte a tendência para a irresponsabilidade do conformismo  do que o ímpeto para reconstruir o que foi arrasado. Deste povo nem o obstinado Marquês de Pombal conseguiu fazer outra coisa. Tenho para mim que, na raiz de tudo, está a ignorância crassa e o estúpido isolamento, que fazem que a nossa sobrevivência acabe por não ser mais que um vale de lágrimas e lamentos, em vez de uma exaltante aventura rumo à liberdade da consciência e de iniciativa.

FERREIRA, António Mega, Hotel Locarno, Porto, Sextante Editora, 2015, p. 67.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Coimbra dos estudantes



Emociona-nos a todos ouvir fado de Coimbra pelos seus estudantes, ali mesmo no meio da rua

Os pássaros


Portimão

Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores (…)

BELO, Ruy, Algumas proposições com pássaros e árvores que o poeta remata com uma referência ao coração, Homem de Palavra[s], Porto, Assírio e Alvim, 2016, p. 76.

domingo, 7 de junho de 2020

Igreja de São Nicolau


A Igreja de São Nicolau situa-se no centro histórico de Santarém, na freguesia de São Nicolau. Este templo, sede de uma das mais antigas paróquias da cidade, foi reconstruído no século XVII na sequência de um incêndio, sendo-lhe então conferido o aspecto actual, representativo do maneirismo e do barroco. A igreja apresenta vários motivos de interesse, dos quais há a destacar os túmulos de João Afonso e de Fernando Rodrigues Redondo e o oratório da fachada testeira, todos classificados como Monumento Nacional. 

A data da fundação da igreja é desconhecida, sabendo-se apenas que foi aqui construído um templo gótico no século XIII, em substituição de um outro mais antigo. Este templo medieval foi completamente destruído por um incêndio em 1600, o que justificou a sua reconstrução segundo as tendências arquitectónicas da época. A campanha de obras iniciou-se em 1613 e foi dirigida por Baltazar Álvares, tendo sido aproveitada parte da estrutura do edifício anterior. A campanha decorativa incluiu a pintura de brutescos e a colocação de um silhar de azulejos. O túmulo manuelino de João Afonso, datado do século XVI e já presente no templo primitivo, permaneceu numa das capelas laterais. 

No novo templo, foi ainda incluída uma capela à data já existente, a Capela de São Pedro, que actualmente se encontra adossada ao edifício da igreja. Esta capela foi fundada na segunda metade do século XIII por Fernando Rodrigues Redondo e por D. Senhorinha Afonso, sua mulher, donatários de Arganil e de Pombeiro da Beira. Após a morte do marido, D. Senhorinha passou a residir em Santarém, obtendo em 1371, de D. Afonso IV o padroado da Igreja de São Nicolau e mandando erguer nesta capela o túmulo do marido, que data de 1360. Mais tarde, já em 1651, a capela foi objecto de obras de reconstrução e de remodelação, que lhe conferiram o seu aspecto actual. 

Na segunda metade do século XVIII, a igreja sofre uma nova intervenção, sendo então remodelada a fachada e construída a sacristia, com o oratório embebido no paramento exterior. A campanha decorativa do interior incluiu a pintura de marmoreados e a colocação de retábulos e de azulejos.

Fonte: Wikipédia