quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

A poesia vai acabar?


 A poesia vai acabar, os poetas
Vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
Ao balcão; eu  perguntei: “Que fez algum
poeta por este senhor?” E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
- Como uma coroa de espinhos:
Estão todos a ver onde o autor quer chegar? 

PINA, Manuel António, A poesia vai, Poesia, saudade da prosa – uma antologia pessoal, Lisboa, 2.ª edição, Assírio & Alvim,2015, p. 60.

domingo, 12 de janeiro de 2020

Ouço o mar


Praia da Rocha

Na minha varanda ouço o mar. O passarinho provoca as ondas, as pedras beijam a água. Quero só esta visão de sonho repousado no meu olhar. Olho o limo das pedras e a poeira dos galhos – eu sou apenas o que vai desta margem à berma daquele cais.
ONDJAKI, Sonhos azuis pelas esquinas, Editorial Caminho, Alfragide, 2.ª edição, 2014, p. 51

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Arade azul e não só

Hortense
Portimão

Com as provas de canoagem de lagoa o nosso rio ficou "arco-íris"
Maio de 2019

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Presépios do Norte de Portugal




Igreja de S Francisco de Évora, 2018

Castro Verde



Castro Verde é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, no Baixo Alentejo, possuindo 5 200 habitantes. É sede de um município com 569,44 km² de área e 7 276 habitantes (2011). O município é limitado a norte pelos municípios de Aljustrel e Beja, a este por Mértola, a sul por Almodôvar e a oeste por Ourique. As fronteiras do município são marcadas nas bermas das estradas que conduzem até aos limites do território com o emblema logotipo do concelho- o marco do município - "Uma janela sobre a planície"

Para falar sobre esta vila, escolhi a fotografia da rotunda que se encontra na entrada da mesma por achar muito sui generis. Esta rotunda tem a forma de um castro, cujas pedras estão pintadas de verde! Mais esclarecedor é impossível!! 

Fonte: Wikipédia

domingo, 5 de janeiro de 2020

Trémulas ondas



Para nós, que gostamos da praia em dias de calor, nunca sabemos quando o mar é ou não dono da sua própria mansidão, porque das trémulas ondas que de longe vêm encabritadas como a quererem agredir alguém, pode vir o jacto que abre a sepultura a quem nele viaja… 

SILVA, Antunes da, Alentejo é sangue, Porto, 3.a edição, Livros Horizonte, 1984, p.168.

sábado, 4 de janeiro de 2020

A cabeça das pessoas não serve só para trazer cabelo e boné


REDOL, Alves, Constantino, Guardador de vacas e de sonhos, Alfragide, Editorial Caminho, 22.ª edição, 2015, p. 47.

O que é o mundo?

O mundo é um sonho, mas não o é por excesso, porém por deficiência. (…) O mundo é irreal, porque realmente, vemos só parte do que verdadeiramente é o mundo.
Estou empenhado em experiências que espero me darão o resultado de eu poder ver o mundo como ele é.
Não creio que o mundo seja, na realidade, diverso do que nós vemos… O que vemos – creio – é real; o que vemos porém é apenas parte – conquanto parte real – do real, do todo. 

PESSOA, Fernando, A morte do Dr Cerdeira, A estrada do esquecimento e outros contos, Maia, Porto Editora - Assírio & Alvim, 2015, p. 223.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Galinhas e sonhos

… as galinhas não sonham,
O que explica o facto de não voarem, apesar de
Terem asas como as águias ou os anjos. É
por isso que os filósofos, que sonham o ideal
E a abstracção, se parecem com as galinhas:  de
Que lhes servem as asas do pensamento
Se, tal como as aves de capoeira, não saem
Do chão?...

 JÚDICE, Nuno, Prelúdio e variações, Navegação de acaso, Lisboa, D. Quixote, 2013, p. 60.

Ponte de ferro





Esta ponte foi construída nos finais do século XIX e inaugurada em 1891. Foi a primeira ponte para transpor o rio Mira em Odemira, na EN 120, ao Km 103,350; é uma obra de arte metálica, construída pela EIP-Empresa Industrial Portuguesa. A ponte era constituída por um tabuleiro superior de 41,800 m, apoiado num encontro e num pilar-encontro de alvenaria ordinária e cantaria, e por um viaduto com a extensão de 91,200 m, dividido em seis tramos com cerca de 15 m cada, apoiado em pilares metálicos formados por colunas de ferro forjado. Esta ponte foi construída apenas para peões e carros de animais.
Antes desta ponte apenas existia a passagem da barca com os padrões da barca que ainda existem, onde estavam fixados os respetivos cabos da barca da travessia (o rei D.Sebastião em 1571 passou por ela numa visita a Odemira). Na década de 30 do século XX a ponte foi remodelada para a atual configuração.

Fonte: https://www.facebook.com/312013725583662/photos/a.312049382246763/407823176002716/?type=1&theater

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Rua do Sineiro


Elvas, num dia nublado...

O que sentir?


Três cousas tem o homem superior que ensinar-se a esquecer para que possa gozar no perfeito silêncio a sua superioridade – o ridículo, o trabalho e a dedicação.
Como não se dedica a ninguém, também nada exige da dedicação alheia. Sóbrio, casto, frugal, tirando o mais possível da vida, tanto para não se incomodar como para não aproximar as cousas de mais, a ponto de destruir nelas a capacidade de serem sonhadas, ele isola-se por conveniência do orgulho e da desilusão. Aprende a sentir tudo sem o sentir directamente; porque sentir directamente é submeter-se – submeter-se à acção da cousa sentida.

PESSOA, Fernando, O maior triunfo, A estrada do esquecimento e outros contos, Maia, Porto Editora - Assírio & Alvim, 2015, p 189.