Com as ondas do mar
Reflito, e respiro
Com o fim de auscultar
O silêncio que trama
O eco em mantra
Da palpitação
Marítima.
BUENO, A. B., O sentido litoral, Lisboa, Guerra e Paz Editores, 2023, pp. 46-47.
Com as ondas do mar
Reflito, e respiro
Com o fim de auscultar
O silêncio que trama
O eco em mantra
Da palpitação
Marítima.
BUENO, A. B., O sentido litoral, Lisboa, Guerra e Paz Editores, 2023, pp. 46-47.
![]() |
| Cascais |
Aproximei o olhar sedento e encostei o corpo à árvore
Ao lugar onde o tronco solta o leite e amamenta a boca
no silêncio precioso que envolve as águas e a noite
a música da terra
(...)
RIBEIRO, Rui Casal, Escrever a água, Lisboa, Edições Colibri, 2018, p. 28.
Nenhum homem que se despede é infeliz. E nenhuma mulher que se despede é feliz. O que separa violentamente as mulheres e os homens não é o pénis, a vagina, ou alguns hábitos velhos. O que os separa violentamente é isto. A alegria ou a tristeza com que partem ou vêem partir.
TAVARES, Gonçalo M., Biblioteca,Porto, Campo das Letras, 2004, p. 50.
As palavras esmagam-se entre o silêncio
Que as cerca e o silêncio que transportam
o meu cansaço é só um conceito
Serei capaz
de não ter medo de nada,
Nem de algumas palavras juntas?
As palavras fazem
Sentido (o tempo que levei até descobrir isto!),
Um sentido justo,
Feito de mais palavras
As palavras depõem
Contra o coração,
que não quer dizer nada
nem ouvir nada
Como saberei o que fazer com tantas palavras,
náufrago de palavras
Na tormenta de antigos sentidos
e de antigas dúvidas,
Sem outra coisa que me proteja
Senão mais palavras?
PINA, Manuel António, Desimaginar o mundo - ensaios, Lisboa, Documenta, 2020, p.p. 199-200.
As palavras mais nuas
As mais tristes.
As palavras mais pobres
As que vejo
sangrando na sombra e nos meus olhos.
Que alegria elas sonham, que outro dia,
Para que rostos brilham?
Procurei sempre um lugar
Onde não respondessem,
Onde as bocas falassem num murmúrio
Quase feliz,
As palavras nuas que o silêncio veste.
Se reunissem
Para uma alegria nova,
Que o pequenino corpo
De miséria
Respirações o ar livre,
A multidão dos pássaros escondidos,
A densidade das folhas, o silêncio
E um céu azul e fresco.
ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 26x.
... O malvado do tempo
Faz umas contas tramadas
Não deixa a gente ficar
só mais umas temporadas
(...)
TORDO, Fernando, Não me tapes o caminho em frente, mesmo que não vá dar ao futuro, Lisboa, Editora Guerra e Paz, 2021, p. 31.