sábado, 21 de março de 2026

Poema

As palavras mais nuas

As mais tristes.

As palavras mais pobres 

As que vejo

sangrando na sombra e nos meus olhos.


Que alegria elas sonham, que outro dia,

Para que rostos brilham?


Procurei sempre um lugar

Onde não respondessem,

Onde as bocas falassem num murmúrio 

Quase feliz,

As palavras nuas que o silêncio veste.


Se reunissem

Para uma alegria nova,

Que o pequenino corpo 

De miséria 

Respirações o ar livre,

A multidão dos pássaros escondidos,

A densidade das folhas, o silêncio 

E um céu azul e fresco. 



ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 26x.

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