quarta-feira, 23 de julho de 2025

O poder da retina está em guardar/ mas nunca em ver

Duarte, Rita Taborda in A mais frágil das moradas - poemas à memória de Eduardo Lourenço, Lisboa, Guerra e Paz Editores, 2023, p. 107.

Por instantes a felicidade que se deseja é possível

GUIMARÃES, Fernando, Junto à pedra, Santa Maria da Feira, Edições Afrontamento, 2018, p. 15.

terça-feira, 22 de julho de 2025

As palavras no centro vazio

Deixa as palavras caírem sobre o chão 

Vazias 

Talvez uma forma silenciosamente

Se liberte

Talvez um gesto em chamas 

se levante

(...)

Deixa as palavras caírem sobre o muro 

Talvez elas caminhem


ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 100.

Sobre a toalha de água

Foto retirada do Facebook 



Sobre a toalha de água, à luz de um sol real,

Dança e respira, respira e dança a vida,

O seu corpo é um barco que o próprio mar modela.


ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 73 






Quarenta e sete


Existires

Deu-me

Existência 


Sorrires com esperança 

Causa-me dança 

Nervoso miudinho

Que se transformou em carinho


Ao quebrar a estufa

Iluminas-me um lindo caminho...


Encantada

Desde o olhar 

Ao declamar


Torno-me numa super fã

E pacientemente descobri que não

foi vã


A espera amadurece

Apesar de recear o que esquece 

Sinto que aquece

Apaga a vela do quarenta e sete

E aparece

Porque me enlouquece 

Tudo em ti menos a tua catequese!!!


Parabéns Xpto 

O merlo



Está poisado no cedro e canta apenas

As penas e alegrias nupciais.

Amor e adeus. Encontro e despedida.

Por isso são de luto as suas penas

E o que ele diz está antes das vogais.

Onde o poeta falha ele não errante

Só ele sabe a sílaba proibida 

Só ele canta o código da terra.


ALEGRE, Manuel, Livro do português errante, Lisboa, Publicações D. Quixote, 2022, p. 35.

A tua felicidade

A tua felicidade 

Vem sempre antes


Da felicidade 

De qualquer outro.


- o verdadeiro significado de "auto-respeito"


LOVELACE, Amanda, Aqui a princesa salva-se sozinha, Alfragide, Oficina do Livro, 2019, p. 196.

quinta-feira, 17 de julho de 2025

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Laranjas dentro de água


 Praia da Rocha, Portimão 

Contigo, eu acordo


Para a vida

Prazer

Amizade

Diversão 


Resplandece 

O meu brilho

Desejo e desejo

Ter-te sempre comigo


Xpto

Em qualquer parte

Em qualquer parte um homem 

Discretamente morre.


Ergueu uma flor.

Levantou uma cidade.


Enquanto o sol perdura

ou uma nuvem passa

surge uma nova imagem.


Em qualquer parte um homem 

abre o seu punho e ri.


ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 19.

Uma fábula adormece ao sol das folhas: o jardim é um estremecimento

Fátima 

ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 179.

Não deites as canas antes da festa



Praia da Comporta

 

terça-feira, 15 de julho de 2025

Arcos eborenses








 

A dança quase imóvel a palavra à beira do seu ser o princípio do desejo que não cessa a chama do corpo nas palavras


Um bailado, um conto, um jogo - Évora, 13-7-2025


ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 102.

O que é o amor?

O amor cerra os olhos, não para ver mas para absorver: a obscura transparência, a espessura das sombras ligeiras, a ondulação ardente: a alegria. Um cavalo corre na lenta velocidade das artérias. O amor conhece-se sobre a terra coroada: animal das águas, animal do fogo, animal do ar: a matéria é só uma, terrestre e divina.


ROSA, António Ramos, Poesia presente - Antologia, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 177.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Partir!


Partir!
Nunca voltarei,
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia.

ALVARO DE CAMPOS - PESSOA, Fernando, Tenho medo de partir - um livro de viagens, Lisboa, Guerra e Paz, 2018, p. 30.


quinta-feira, 10 de julho de 2025

Vermelho nublado


 Rio Arade  -  Portimão 

Sala dos Embaixadores









 Palácio de Queluz 

De relance, o Alentejo

Ilhas, Arraiolos 

Um céu abafadiço, um ar de ausência 

Esperando nuvens imóveis no céu baixo.

A terra, já das ceifas recolhida,

alonga-se manchada a flores tardias,

roxas, vermelhas, amarelas, brancas,

como penugem de esquecida Primavera. 


Por entre os campos, os cordões  rugosos

dos caminhos para toda a parte,

menos para os campos, que pacientemente evitam.

Na linha do horizonte próxima ou distante

conforme as ténues  cristas da planura imensa,

 um claror de céu, um tufo de arvoredo,

alternadamente se tocam e se afastam.


De súbito, num alto que a planície esconde,

As casas surgem brancas e compactas.

Como surgem, mergulham

Na sombra poeirenta de azinhagas em ruínas.

Ainda se demora  uma torre antiga,

Escura, com ameias e janelas novas,

Caiadas.

Um rio se adivinha. Mas, de ao pé da ponte,

De novo apenas o ondular da terra,

Um crespo recordar só de searas idas.


SENA, Jorge de, Post-Scriptum, Porto, Assírio e Alvim, 2023, p. 42.