sexta-feira, 17 de abril de 2026

A um homem do passado

 Estes são os tempos futuros que temia

O teu coração que mirrou sob as pedras,

Que podes recear agora tão fundo,

onde não chegam as aflições nem as palavras duras?


Desceste em andamento; afinal era

Tudo tão inevitável como o resto

Viraste-te para o outro lado e sumiram-se

da tua vista os bons e os maus momentos.

PINA, Manuel António, Desimaginar o mundo - ensaios, Lisboa, Documenta, 2020, p. 24



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