Aqui estou
À espera
De ver o que sou
Morrer
Ou viver
Tristeza
Sem beleza
Magreza
Avareza
Matar,
Negar o sonhar
Nada vai mudar
Só quando a vida acabar...
Aqui estou
À espera
De ver o que sou
Morrer
Ou viver
Tristeza
Sem beleza
Magreza
Avareza
Matar,
Negar o sonhar
Nada vai mudar
Só quando a vida acabar...
No meio do teu harém
Eu não sou ninguém
Porquê esse desdém??
Não me sinto bem
Fico sem
Bagagem
Não há viagem
Apenas miragem...
Jantar aquém
Andas sempre a cem!
Nada disto nos convém
Nem para mim, nem para ti nem
Para ninguém
Nunca me vais deixar chegar à tua margem
E o meu coração será sempre moagem
XPTO
Quando o dia
Da noite se separa sem sabermos
Qual deles nos prepara
Seja para o passado
(...)
seja para cumprir o contrato da nossa
tão incerta saída (de que vida?)
os astros vão
esquecer-nos e deixarão por fim
Que a luz abandonando a pele há tanto ao cósmico
desígnio subjugada,
não seja mais a voz outrora já
escutada
dentro do alto forno que nos forjou a cara
CRUZ, Gastão, Existência, Porto, Assírio e Alvim, 2017, p. 12.
Vem dos lados do rio, as mãos fresquíssimas, algumas gotas de água ainda nos cabelos. Com a manhã chega o anónimo respirar do mundo. Um cheiro a pão fresco invade o pátio todo. Vem dos lados do rio: para levar à boca, ou ao poema.
ANDRADE, Eugénio de, Memória doutro rio, Porto, Assírio e Alvim, 2014, p. 32.
Contigo aprendi o que é amar
Mas nunca saberei o estar
Muito menos o partilhar
Alegria ténue
Desvanece
A solidão reaparece
Medo e insegurança fortalece
Sinto que me esquece...
Unha rente
Contacto omnipresente
E um sonho ausente
Xpto
Queremos que a realidade
cresça como uma árvore.
No fundo, descobrir uma semente
É o desejo de ter uma sombra.
CRUZ, Afonso, Paz traz paz, Lisboa, Companhia das Letras, 2019, p. 24.
Escreve a poetisa
Maria Velho da Costa
"Amantes -
Jogai com os números até à
exaustão do infinito."
10
8
22
8
10
9
16
11
5
8
3
1
15
6
26
6
17
7
O que dizes desta matemática?
Somamos 2026????
Ou simplestemente jogamos??
Xpto
Por onde devaneias?
A tua presença desvanece entre os meus dedos
E os meus medos
Enchem as minhas veias...
Não há um único relance
Nada que me abrace
Num tempo onde tudo arrefece
Por mais que arregace
Nada amasse
Como pode haver esperança?
Não convenço com refeição
nem vejo paixão
Até quando aguentarei a espera?
Xpto
É triste deixar para trás
Estes lugares.
É como se aqui enterrásemos
Pedaços de mim,
Escondidos na areia.
Este breve momento
Está a acabar,
E nunca o terei de volta.
Tive a sorte de o
Ter, em primeiro lugar.
O fim é agridoce
Quando relembrar
Que o tempo não se repete.
REINHART, Lili, A arte de mergulhar, Alfragide, Edições Asa, p. 180.
Tudo na vida, tanto as crises sentimentais como as situações que a própria vida nos cria, tem o seu período agudo, o seu ponto culminante.
BRONTË, Charlotte, O Professor, Matosinhos, Edições Book.it, 2013, p.51.
Um livro é como um espelho: se um macaco se olhar nele nunca verá um apóstolo.
CESARINY, Mário, As mãos na água, a cabeça no mar, Porto, Assírio e Alvim, 2015, p. 32.
Universo a desencontrar
Eu e tu a apartar
Inverno
Frio
Não observo
Não ouço
Fado:
Hiberno
Explicador a teimar
Eu a dar para trás
Escolhi amar
Quando era racional
Meu coração não levava a mal
Professor sempre a saltar o cercal...
Eu a passar fome outonal
Quando o Universo vai responder?
Qualidade e quantidade são de eleger?
Ou amar o esquecer???
Xpto
A chuva morre
Na calçada
GUIMARÃES, João Luís Barreto, Movimento, Lisboa, Quetzal, 2020, p. 30.