Mas já aprendi que, sorrindo, me liberto
E tão perto me fica o que está distante
quando me chegas, forrado a instinto
nesse teu tom tão elegante...
Quando me trazem a madrugada
E me levas, num tudo nada
ao que senti e ainda sinto
por estes becos de abraços e de abrigo
em que sossegava contigo.
Por isso te sorrio
do fundo da nossa promessa secreta
e na metade cheia do nosso rio
vou chamar aquele nosso poeta
Para ele te levar
Nesses olhos que vêm do mar
Um beijo com cheiro e do tamanho
Da nossa rua com flores de jacarandá.
Essa mesma, no nosso outro lado de cá.
Olha, já vai longa a carta...
Fui ao espelho do mar
E vi as águas do céu.
O meu dormir, mérito teu,
Vai ser hoje mais bonito e leve.
Até breve...
ANTUNES, Fernando Machado, ... como quem lisboandando, Lisboa, Guerra e Paz Editores, 2022, pp. 26-27.
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