quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Tu és a Rainha

Nomeei-te rainha.

Há maiores do que tu, maiores.

Há mais puras do que tu, mais puras.

Há mais belas do que tu, há mais belas.


Mas tu és a rainha.


Quando andas pelas ruas

Ninguém te reconhece.

Ninguém vê a tua coroa de cristal, ninguém olha

A passadeira de ouro vermelho 

Que pisas quando passas,

A passadeira que não existe.


E quando surges

Todos os rios se ouvem

No meu corpo, sinos

fazem estremecer o céu,

enche-se o mundo com um hino.


Só tu e eu,

só tu e eu, meu amor,

o ouvimos.


NERUDA, Pablo, Poemas de amor, Lisboa, 2.a edição, Publicações D. Quixote, 2019, p. 13.

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