sexta-feira, 24 de abril de 2026

Liberdade segundo Cesariny

A liberdade conhece-se pelo seu fulgor.

Quatro homens livres não são mais liberdade do que um só. Mas são mais reverbero no mesmo fulgor.

Trocar liberdade em liberdades é a moda corrente do libertino.

Pode prender-se um homem e pô-lo a pão e água. Pode tirar-se-lhe o pão e não se lhe dar a água. Pode-se pô-lo a morrer, pendurado no ar, ou à dentada, com cães. Mas é impossível tirar-lhe seja que parte for da liberdade que ele é.

Ser-se livre é possuir-se a capacidade de lutar contra o que nos oprime. Quanto mais perseguido mais perigoso. Quanto mais livre mais capaz.

Do cadáver de um homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro - nunca sairá um escravo.

Autoridade e liberdade são uma e a mesma coisa.

 CESARINY, Mário, As mãos na água, a cabeça no mar, Porto, Assírio e Alvim, 2015.


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