segunda-feira, 10 de junho de 2013

Chamando por Camões numa saudade!

Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso líquido c`oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d`epopeias?
Tens anseios d`amarguras?
Tu tens também receios,
O mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!

Florbela Espanca

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