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Vinhas do mar, na volta da onda maior
Onda redonda fechada de abraço...
Ia o Sol num sul de entardecer.
Vinhas depressa ao devagar do prazer
De me levares à noite, pelo teu regaço
Embalando as batidas do meu suor.
Vinhas ao instinto do hoje até ao dantes
Molhada pelas águas que se dão ao mar...
Brasava o baú das noites guardadas.
Vinhas do tudo o que foi ao todo dos nadas
À memória do que tínhamos de guardar
Deixado num testamento de amantes.
Vinhas do mar, deusa das águas, luz
Num corpo de rio, rainha do Tejo...
Nascida de um céu emprestado ao chão.
Vinhas num sorriso na palma da tua mão
Tantos cheiros, outros cheiros
Nesse teu leito em que me pus.
(...)
ANTUNES, Fernando Machado, ... como quem lisboandando, Lisboa, Guerra e Paz Editores, 2022, p. 28.

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