terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Se me pudesse fugir

Se me pudesse fugir fugia-me

Para Longe

Para onde houvesse uma praia tímida aconchegada de

árvores que sabemos existirem carregadas de versos e

com sol derramado de silêncios e quereres


deixaria para trás as memórias avaras e puídas

e pela mão somente levaria o presente que falta

E que alenta


E depois

Lá longe

De crenças cofiada

colheria a poesia sazonada e daria fartura aos

olhos e ao vagar


ah se pudesse


SOUTO, António, A Seiva dos dias e outros poemas, s.l., Europeus, 2021, p. 71.

Sem comentários: